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Nº 105
2002/04


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Novas Soberanias. Novos Selos II

Luís Eugénio Ferreira
Membro da Academia Europeia de Filatelia

Quem por acaso ou por paixão se tenha debruçado sobre os complexos problemas filatélicos que resultaram dos grandes movimentos políticos ocorridos durante ou por causa das duas grandes guerras que envolveram a maior parte dos territórios europeus, e não só, deverá ter enfrentado algumas dificuldades de catalogação, paralelamente às dificuldades de apreensão de movimentos que se cifraram por ocupações militares, alterações do tecido geo-político, queda e renascimento de impérios, alterações profundas das zonas de influência estratégica, etc. Ficaríamos por aqui. Com efeito, é do domínio da História que se trata, ou ainda, num segundo plano, da geografia-política, isto é, do objecto privilegiado dos compêndios escolares ou do alimento indispensável para os historiadores dedicados e atentos.

Mas o grande facto que nos interessa a nós particularmente, na medida em que isso se nos impõe como a matéria fundamental da paixão filatélica, é que a cada um desses movimentos, a cada alteração ocorrida, a bem ou a mal, no percurso da História, correspondem, como todos sabemos, emissões postais, com todos os seus acidentes. Sejam as sobrecargas, os grafismos apostos, os textos impressos, as imagens oportunistas, os carimbos de fortuna, as marcas acidentais, etc., formando no seu conjunto um bem elaborado e decisivo catálogo de documentação relevante, que dá à filatelia, só por si, uma importância definitiva como ciência histórica.

No primeiro texto da presente série de artigos sobre o reajustamento dos espaços geo-políticos da Europa, após o desmembramento do território da União Soviética, que agregou ao longo de meio século uma vasta gama de pequenas unidades étnico-políticas dispersas, frisei como daí resultou uma imensidade de emissões postais, correspondendo desse modo ao título que dei às presentes notas: Novas Soberanias. Novos selos.

Para lá de todas e quaisquer outras considerações, vamos admitir apenas, que cada estado, ou melhor, cada uma das 15 Repúblicas recentemente formadas, constitui uma poderosa fonte emissora de objectos postais, marcando com os seus selos, a confirmação plena da sua soberania.


1- Arménia

Fixamos em primeiro lugar, a Arménia: Território montanhoso entre a Turquia e o Irão, foi durante muitos anos um reino independente, disputado a partir do século XVI por persas e turcos. Em 1829 a Arménia oriental foi anexada à Rússia, enquanto na Arménia ocidental os turcos praticavam uma política de extermínio.

A Arménia voltaria a tornar-se independente em 1918, usando todavia os selos da Rússia, não denteados e com a sobrecarga violeta formada pelo monograma do governo arménio.

A Arménia tornar-se-ia depois uma República Soviética, em Novembro de 1920, data a partir da qual passaria a usar os selos correntes das emissões da URSS.

Em 1991 a Arménia declara de novo a sua independência, passando a emitir os seus próprios selos.


Selo 1 Selo 2
Fig. 1

Destacamos na Fig. 1 a gravura da sua bandeira como grafismo da sua primeira emissão, configurando dessa forma os dois sinais característicos da definição da sua soberania.


Postal
Fig. 2

Na figura 2 apresentamos uma carta de Erivan, sua capital.


2- Azerbaijão

O Azerbaijão é constituído pela vasta planície do Kura, limitada pelo Caucaso e pelas montanhas da Arménia.


Fig. 4
Fig. 3

De 1919 a 1921, como República Federativa Soviética, emitiu selos próprios de onde se destaca uma longa série em favor das vítimas da fome. Em 1921 tornar-se-ia República Soviética, integrando-se assim no território da União, passando consequentemente a utilizar os selos correntes da URSS. (Fig. 3) Selo dedicado ao Azerbaijão.

Em 1991, o Azerbaijão retoma a sua independência.

São naturalmente profundas as alterações sofridas na área da circulação postal, pelas várias repúblicas, agora a contas com a sua definição política, a demarcação do seu território, a consagração reconhecida da sua soberania.

No seu conjunto, elas constituem um incontornável catálogo de acidentes possíveis, com enorme reflexo sobre a filatelia, como tentaremos documentar nos próximos artigos.



 

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