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Nº 96
2000/12


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OS “PAQUETES CORREIOS-MARÍTIMOS” E ALGUNS DOS ARTIGOS DO ALVARÁ DE D. MARIA I

(Continuação)

Dr. Romano Caldeira Câmara

A Razão da Extrema Raridade das Marcas “Correio-Marítimo” nas Cartas Provindas do Brasil e das Ilhas e Províncias Ultramarinas

A Repartição oficial do Correio Geral em Lisboa, tinha uma repartição onde se manuseava toda a correspondência expedida e recebida pela Administração Geral do Correio Marítimo e cuja actuação vem extremamente bem detalhada num estudo publicado já há vários anos, em 1968 no livro editado pela Secção Filatélica e Numismática do Clube dos Galitos onde se explanavam as teses apresentadas pelo único Congresso digno dessa honra, titulado 1º CONGRESSO NACIONAL DE FILATELIA, obra essa que foi compilada e orientada pelo Sr. Victor Falcão. Foi uma obra notável que nunca mais teve uma continuidade tão plena e detalhada como então, pois que a Filatelia e os Filatelistas Portugueses não conseguiram dar o devido valor às teses apresentadas, implementando as suas conclusões como se faria em qualquer outro país do mundo. Preferiram enveredar, após a morte do Professor Trincão, num caminho que fez afastar a força viva dos Filatelistas activos, reflexo de guerrilhas inúteis e estéreis. Bom proveito lhes façam, porquanto “entre mortes e feridos e desiludidos” alguns poucos, cerraram os dentes e resolveram manter a chama acesa nalguns sectores da nossa Filatelia. Entre eles é de realçar a Filatelia Marítima, e o apoio dado à sua FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE FILATELIA MARITIMA, uma organização que agrupa alguns dos maiores clubes dedicados ao estuda da Filatelia Marítima, contando com milhares de adeptos em todo o mundo. Felizmente que a Direcção e o sue Director Executivo ainda é um português com o que nos congratulamos.

Mas voltando ao Livro do 1º Congresso de Filatelia, constitui um notabilíssimo estudo, à cerca dos Correios Marítimos, uma das teses apresentadas na Secção IV cujo autor foi a D. Maria da Conceição Hernandez, e que foi titulado simplesmente de “CORREIOS MARITIMOS” Para esse estudo, de que se deveria fazer uma Separata, chamamos a atenção dos nossos leitores. Aliás outras obras posteriormente publicadas vieram enriquecer o património mundial filatélico no sector de História Postal Marítima Portuguesa cujos autores honraram a Filatelia Portuguesa e que se consideram marcos do nosso saber actual.

Pois na Portaria de 7 de Agosto de 1798, adicional ao Alvará de Janeiro, e que no livro do l.º Congresso atrás citado, vem transcrita parcialmente em seis linhas, encontramos a explicação para a extrema raridade das marcas de “Correio Marítimo” que chegaram até os nossos dias. Com efeito diz-se nessa Portaria o seguinte:

“A mesma Senhora (Rainha D. Maria) he servida permitir em benefício do comercio, que, toda a pessoa que passar dos portos deste reino para os Estado do Brasil, India e Ilhas, ou voltar dali para Portugal possa conduzir cartas, levando-as primeiramente ao Correio para serem mandadas, e pagando antecipadamente o seu port; o que se faz publico pela Repartição do Correio desta Corte da ordem de S.M. para que chegue à noticia de todos”.

Verifica-se portanto o ajustamento à realidade, e assim qualquer pessoa, passageiro ou habitante de uma das cidades, portos de escala ou terminal, recorrer ao Capitão ao Mestre ou a qualquer Tripulante ou passageiro, para lhe transportar carta ou cartas, contanto que no porto de destino se dirigisse aos Correios e pagasse o porte correspondente, o que facilitava de sobremaneira o envio de cartas de última hora, que já não tinham tempo para serem encaminhadas nas malas de Correio, Era a chamada correspondência de última hora, e seria esta que em princípio, à sua recepção nos Correios de Lisboa, no caso do seu envio para a Capital, ou para a cidade do Porto, que receberiam o célebre e raríssimo carimbo ou marca CORº MARITIMO.

O espantoso de toda esta questão é que mesmo depois de extintos os navios à vela, mesmo depois do Brasil ter ascendido à sua Independência, e depois do surgimento da navegação por vapor, esta prática manteve-se por mais de um século e por isso nos surpreendemos quando deparamos com uma carta já do século XX (meados ou começos deste século) com um CARIMBO OU MARCA DO NAVIO obliterando o selo do Correio do Ultramar, ou inclusive com a aposição da marca PAQUEBOT ou PAQUETE/PAQUEBOT (bilingue) aposto no selo, obliterando-o. Também nestas condições poderemos dizer sem sombra de duvidas, que tais peças são raríssimas dado que também eram colocadas a bordo, nos portos de escala, durante a estadia nos mesmos, em razão de não terem podido ser encaminhadas pelos Correios locais, nos sacos das malas como era da praxe.

Quaisquer peças destas são raríssimas conforme disse, e os REGULAMENTOS E NORMAS EXPOSICIONAIS SEGUIDOS NA FILATELIA MARITIMA (na I.F.M.P.), admitem-nas e valorizam qualquer colecção de Filatelia Marítima ou de Historia Postal Marítima.

O Reforço da Nossa Frota de Paquetes Correios-Marítimos e o Desenvolvimento do Continente Americano no que Respeita ao Brasil

À medida que se adensam as nuvens políticas das ameaças de guerra e do conluio Franco-Espanhol para fazer desaparecer Portugal do mapa de Europa como Nação e do mapa mundial como potência marítima e colonizadora de vastas áreas de potencial incomensurável e de feitorias comerciais importantes, a nossa Marinha de Comércio cada vez mais necessitava de apoio naval e o belo projecto da criação de Paquetes Correios Marítimos, não conseguia vingar pela impossibilidade de atravessar o Atlântico sem escoltas apropriadas, pois a guerra de corso e a pirataria grassava impune, dificultando e impedindo a progressão dos nossos Paquetes Correios-Marítimos.

Foi então que passados três anos sob a publicação do Alvará da criação dos Paquetes Correios Marítimos, saiu uma outra directiva dimanada da Regência (melhor dizendo do Príncipe Regente), referente à construção de NAVIOS CORREIOS MARITIMOS e de que foi porta-voz o Administrador dos Correios de Portugal. Bernardo Ramires Esquível, (Ref. Caixa 185, Anos de 1799 a 1830, da Biblioteca Central da Marinha, à Rua da Junqueira em Lisboa), que ordenava a construção de Paquetes Correios Marítimos, como segue:

Documento

O documento que reproduzimos e que até hoje, nunca (que o autor saiba), foi dado conhecimento aos filatelistas e estudiosos da Filatelia Marítima e da Historia Postal Marítima, é fundamental para a compreensão do esforço que foi feito pela Nação para manter um Serviço de Correios Marítimos num contexto que se avizinhava tempestuoso, tanto no mar como em terra.

A minúcia a que se chegou, merecia melhor sorte, pois que em matéria de construção naval de um Paquete Correio Marítimo as suas características específicas deveriam rodar a volta de velocidade / tonelagem, área de velame e armamento de artilharia para defesa contra os navios de corso e piratas e sobretudo robustez do casco que permitisse atravessar o Atlântico e voltar ao porto de Lisboa varias vezes ao ano, em viagens sucessivas sem intervalos senão os necessários ao reabastecimento.

Edital

200 ANOS DO ALVARÁ DA REORGANIZAÇAO DO CORREIO MARÍTIMO PORTUGAL/BRASIL

Em 1998 assinala-se a passagem do bicentenário, de um dos marcos de fundamental importância da História dos Correios em Portugal: a Promulgação do Alvará de Reorganização dos Correios Marítimos para o Brasil, por meio do qual procurava-se dar uma resposta bem concreta as necessidades de comunicação de Portugal com o Brasil.
A Promulgação do Alvará se deu a 20 de janeiro de 1798 e determinava que a Repartição da Marinha ficasse encarregada de expedir, a cada dois meses, dois Paquetes Correios Marítimos: um, com destino ao porto de Assú, para servir as capitanias de Pernambuco, Paraíba, Parnaíba, Maranhão, Piauí e Pará; e o outro, para a Bahia e o Rio de Janeiro.
Este mesmo documento ordenava que o Vice-Rei, Governadores e Juntas de Fazenda da Colónia se encarregassem, por sua vez, de estabelecer sistemas de comunicações, no interior do território, para permitir o encaminhamento das correspondências a serem recebidas e expedidas pelos paquetes, que, além das correspondências, transportariam, também, pequenas encomendas e produtos do País, devidamente controlados pela Administração do Correio.
Para dotar o Correio marítimo de uma maior eficácia, o Governador da Bahia mandou construir duas embarcações no Arsenal da Capitania, cabendo ao bergantim "Postilhão da América" a missão de ser o primeiro a fazer a ligação regular entre o Brasil e Portugal.
Ao que se sabe, essa embarcação serviu durante três anos o Correio Marítimo, com grande eficiência, apesar de várias vezes terem sido perpretados ataques de corsários, sem que as malas das correspondências sofressem qualquer dano. Porém, este barco, a 10 de março de 1801 partia de Lisboa e iniciava sua última viagem, já que, com as terras de Vera Cruz à vista, viria a encalhar e naufragar na Ponta de Itapoã, na entrada da Bahia. Mas, uma vez mais, os esforços dos bravos marinheiros valeram e as malas do Correio e tripulação ficaram a salvo, com excepção de um único tripulante, que se havia lançado ao mar.
A publicação do Alvará de 20 de janeiro de 1798, reorganizando o Correio Marítimo, constituiu uma medida de grande alcance nas comunicações postais entre Portugal e o
Brasil, que viriam a prevalecer ao longo dos tempos, unindo o que mais tarde seriam as duas pátrias irmãs.
FERNANDO MOURA, Historiador Postal
Fundação Portuguesa das Comunicações

Como os nossos leitores verificaram na transcrição da pagela editada pelos Correios Brasileiros, por ocasião da comemoração dos 200 Anos do Alvará de Reorganização do Correio Marítimo Portugal/Brasil, é referida a actuação da Capitania da Bahia, que face às ordens expedidas de Côrte providencia a construção de 2 embarcações no Arsenal da Capitania, cabendo ao bergantim “POSTILHÃO DA AMÉRICA” a missão de ser o primeiro a fazer a ligação regular entre o Brasil e Portugal.

Não refere a pagela dos Correios Brasileiros se idêntica ordem teve lugar nas restantes três Capitanias, do Pará, Pernambuco e Rio de Janeiro.

Do livro “Catálogo dos Navios Brigantinos” da autoria do Comandante A. Marques Esparteiro e da referida Caixa Nº 185 existente na Biblioteca Central da Marinha, que é um repositório precioso de elementos sobre os nossos Correios Marítimos, chamámos a vossa atenção para o documento N.º l3 de 7 de Junho de 1800 do Arquivo Central da Marinha que nos dá conta do esforço que era necessário efectivar para se conseguir um serviço de transporte de cartas com a mínima segurança que nunca poderia ser dada pelo transporte em navios mercantes. Mas, o Homem põe e Deus dispõe. As circunstâncias que se seguiram foram de tal maneira adversas que as boas intenções do Alvará não foram cumpridas. A maior parte dos nossos Paquetes Correios Marítimos foram afundados em acções conduzidas por inúmeros piratas e corsários tanto franceses como espanhóis, sul-americanos, argelinos, etc., que infestavam os mares de então.

Uma listagem elaborada a partir do Livro Catálogo dos Navios Brigantinos da autoria do Comandante António Marques Esparteiro e de outros dados colhidos no Arquivo Central da Marinha, que reproduzimos no seguimento, pode fazer-se uma ideia do esforço titânico que representou a manutenção das comunicações postais entre Portugal e as diversas parcelas Ultramarinas com relevo naturalmente para o Brasil, cujo potencial era do domínio publico tanto na Europa como na América do Sul. A outra fonte a que recorremos deve-se ao já referido MARCO DOS NAVIOS e seus preciosos Códices pois esses reflectem a prática da chegada ao Rio Tejo e a Lisboa de todos os Navios que demandavam o nosso país nessa época conturbada e carregada de ameaças para a Nação Portuguesa.

Livro de Bordo do Correio Marítimo

A capa do livro de bordo do Correio Marítimo” GAVIÃO” um objecto de museu oferecido ao autor deste estudo pelo Ex.mo. Sr. Joaquim da Silva Lêdo, de Oliveira de Azeméis

Paquetes Correios-Marítimos referenciados no período de 1797 a 1807:
OLINDA ou SANTO ANTONIO OLINDA, comprado em 1797 para Cº Maritº, em Lisboa.
PRINCIPE REAL, 1797/1800 comprado em 1797 para Cº Maritº, em Lisboa
ALBACORA, 1797/1799 comprado em 1797 para Cº Maritº, em Lisboa
CAÇADOR, 1797/1801 comprado em 1798 para Cº Maritº, em Lisboa
PHAETONTE, 1798/1801 comprado em 1798 para CºMaritº.
LEBRE (pequeno Lebre) 1798/1799 construído em Viana do Castelo e comprado em 1798
POSTILHÃO DA AMERICA 1798/1801 construído na Bahia, Brasil, e comprado em Lisboa
VIGILANTE, O 1798/1812 Comprado em Nantes /França. em 1798
VOADOR, 1798/1799. Comprado em 1798
BOA VENTURA ou S. BOAVENTURA, 1799/1819. Comprado em 1802
MINERVA (sumaca/bergantim) 1799/1800. Construído na Bahia, Brasil
ESPADARTE (depois ESPADARTE BRILHANTE) 1799/1800 Construído no Pará em 1799
S. JOSÉ ESPADARTE 1799/1807 Construído no Brasil em 1799?.
PAQUETE REAL ou Sº ANTONIO PAQUETE REAL 1799/1804 Construído no Brasil em 1799
BALEIA 1801/1802 Não referenciamos este navio nas listas de chegadas a Lisboa.
NEPTUNO, 1795/1801, Navio tipo Bergantim que serviu como CºMARº
GAVIAO, 1796/1814. Bergantim armado com 22 peças.

Paquetes Correios-Marítimos referenciados no período de 1807 a 1812:
DESTEMIDO, Bergantim 1809-1820. Referido corno Paquete Correio Marítimo
MERCURIO, 1808/1816
ATREVIDO, 1809/1823
FALCAO, 1816/1826
GLÓRIA, 1817/1829
LEOPOLDINA, 1817/1822 construído no Pará Brasil
CONSTANCIA, 1817/1832
TREZE de MAIO, 1818/1833, comprado no Brasil para Correio Marítimo
ESTRELLA, 1819/1834

Paquetes Correios-Marítimos referenciados de 1812 a 1819 (muitos destes, fizeram serviço como Cº Marº mesmo depois de 1819):
FALCAO, 1816/1826
GLÓRIA, 1817/1829
LEOPOLDINA, 1817/1822 construído no Pará Brasil
CONSTANCIA, 1817/1832
TREZE de MAIO, 1818/1833
ESTRELLA, 1819/1834
INFANTE D.SEBASTIÃO, 1819/1831
NINFA, 1817/1822 Escuna corsária apresada em 1817 e que serviu como Cº MARº.
CORREIO do PARÁ, 1819. Escuna que serviu eventualmente como Cº MARº,
PRINCESA REAL, 1819/1823, Navio que serviu eventualmente como CORº MARITº

Paquetes Correios-Marítimos, referenciados de 1820 até 1865:
PANDORA, 1822
FARO, 1833/1845
AFRA, 1820/1822 construído na Bahia Brasil
FAIAL, 1832/1844
MARIA ISABEL, 1835/1836
ALGARVE, 1834/1838
ESPERANÇA, 1835/1847
CABO VERDE, 1838/1863
CONSELHO do GOVERNO, 1841/1852
METEORO, 1843/1856
S. MARTINHO da NAZARÉ, 1838/1849, navio tipo Hiate
QUINZE de AGOSTO, 1843/1852, Navio tipo Hiate
BISSAU, 1859/ 1879, navio tipo Hiate
Nª Sª do BOM DESPACHO, 1809/1844 Navio, tipo Hiate que serviu eventualmente como Cº Marº e citado na Pagina 164 do Livro do 1º Congresso Nacional de Filatelia.
CONCEIÇÃO, 1822/1828 . Navio tipo Sumaca que serviu eventualmente como Correio Marítimo, e citado na pagina 163 do Livro do 1º Congresso Nacional de Filatelia.

Destes Paquetes Correios-Marítimos a maior parte perdeu-se em acções de guerra marítima, combates com navios corsários e piratas, além das tempestades na costa Atlântica Brasileira e as celebradas barras que impediam entrada franca dos navios e por último, a inadequação de alguns Paquetes Correios Marítimos para o serviço devido à idade de muitos deles. Essa a razão fundamental porque o Governo de então recomendava a construção destes Correios-Marítimos segundo planos feitos por peritos navais, tal como vem descrito nas instruções dadas para as diversas Capitanias do Brasil, e que tivemos a dita de encontrar nas nossas pesquisas.

Resumindo, no sector Bergantins e Brigues perderam-se em acções de guerra, desencadeadas pelos nossos inimigos, na costa do Brasil por apresamento ou afundamento, vários Navios-Correios Marítimos (segundo dados colhidos no Catálogo dos Navios Brigantinos):
"Gavião" que tinha sido comprado em 1796 em Havana-Cuba
"Albacora" ou "Alvacora" em 1799 perto do Cabo Frio
"Phaetonte"
"Lebre" (que foi apresado no Mediterrâneo) por piratas Argelinos e Franceses
"Vigilante" que se afundou em combate contra piratas franceses
"Voador" que foi apresado por dois navios corsários franceses
"Espadarte" que face à superioridade do inimigo acabou por retirar

Mas, no sector de Bergantins e Brigues outros Correios-Marítimos, afundaram-se durante as tempestades que açoitavam as costas do Brasil e nas travessias Atlânticas os seguintes Correios-Marítimos:
"Neptuno"
"Olinda" ou "Santo Antonio Olinda"
"Principe Real"
"Postilhão da America" também conhecido por "Postilhão"

Outros Correios-Marítimos, conseguiram sobrelevar todas as vicissitudes por que passaram e tiveram uma vida muito mais longa não só como Correios-Marítimos mas noutras actividades marítimas auxiliares tais como o navio:
"Boa Ventura"
"Mercurio" que terminou a sua vida no Brasil após a Independência
"Glória" que ainda andou nas lutas Miguelistas
"Constância" que terminou a sua actividade no Tejo como bateria flutuante
"Treze de Maio" que teve uma activíssima vida como Correio-Marítimo para as Ilhas
"Estrela" que resistiu desde 1819 a 1834
"Infante D. Sebastião" que teve a sua actividade de 1819 a 1831
"S. Boaventura" que até 1846 foi empregue em transporte na Guiné, tal como o "Faro" que durou até 1845.

O Desenvolvimento do Brasil no Contexto do "Reino Unido" e o Surgimento dos Carimbos Denominados Correios-Marítimos

O desenvolvimento do Brasil sob ponto de vista da criação de grandes industrias agro-pecuárias e de exploração agrícola teve um notável avanço após a chegada do Regente D. João àquele País, e de 1808 a 1818 vê-se que a marinha mercante portuguesa executou uma tarefa gigantesca, impossível de visualizar, se não fôra a preciosa ajuda dos velhos códices do MARCO DOS NAVIOS onde se registaram as receitas entradas na Alfândega de Lisboa e os volumes de mercadorias provenientes dos vários portos daquele Brasil imenso. Naturalmente que para completar este estudo haverá que recorrer às importações nos anos que precederam as invasões francesas, e nada melhor que tomarmos como marco de referencia, o ano que se seguiu à criação dos Paquetes Correios-Marítimos, pois que esta foi consequência do aumento de volume de correspondência comercial entre o Brasil e Portugal consequente ao desenvolvimento da exploração agrícola, independentemente da exploração de materiais preciosos, ouro, pedras semipreciosas, diamantes etc. que já tinham começado anteriormente mas que não exigiam o esforço que foi necessário fazer no aspecto "marinha mercante" quando se tornou necessário escoar a produção agrícola e agro-pecuária que se lhe seguiu, e que somente através do entreposto de Lisboa foi tornado possível.

Sob ponto de vista de História Postal ou da Filatelia, pareceria à primeira vista que dado o volume extraordinário de cartas e missivas trocadas entre Portugal e Brasil e vice-versa, que com o advento dos PAQUETES CORREIOS-MARÍTIMOS, que deveriam, ainda hoje, aparecer milhares de cartas com a marca "CORREIO MARITIMO", por contraposição às cartas e missivas transportadas nos NAVIOS MERCANTES (e eventualmente NAVIOS de GUERRA), que não seriam identificadas com tal marca ou carimbo. A hipótese contrária seria admissível, pois os utentes poderiam continuar a preferir o antigo sistema que os servira "tant bien que mal" durante dezenas de anos e as cartas ou sobrescritos, naturalmente não ostentariam os carimbos ou melhor as marcas "CORREIO MARITIMO", se tivessem preferido a via NAVIOS MERCANTES ou de COMERCIO, para atravessarem o Atlântico, limitando-se os capitães, os mestres ou os tripulantes a depositarem as cartas no Correio Geral de Lisboa após a chegada do Navio ou do Barco a este porto. Porém no caminho inverso, isto é de Lisboa (ou Porto) em direcção aos portos Brasileiros da Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, Paraíba, Ceará, e mais tarde Santos, já o problema era mais complicado por ausência de Estações de Correio nessas cidades ( excepção para o Rio de Janeiro), e recorrendo-se aos lugares públicos tais como as Igrejas, para aí deixarem as cartas vindas do Reino. Os destinatários deveriam pois procurar nesses locais tradicionais, as suas cartas. Naturalmente que vistas as coisas pelo prisma actual, dificilmente aceitaríamos uma situação destas, mas os portugueses sempre deram provas de se adaptarem às situações mais difíceis e desconfortáveis, ou, inadequadas.

Ora no caso do não cumprimento da letra do Alvará, é que poderíamos aventar a hipótese da extrema raridade das cartas ostentando carimbo ou marca de CORREIO MARITIMO, cartas essas dirigidas a Portugal, vindas do Brasil, e "hipoteticamente" pelos Paquetes Correios-Marítimos. Mas, atenção, nestas circunstâncias, os nomes dos Navios Correios-Marítimos, deveriam aparecer nas menções manuscritas apostas pelos remetentes nas próprias cartas. Mas, nas dezenas de exemplares estudados, nunca aparecia o nome de um único Correio-Marítimo, em manuscrito, associado a um carimbo ou marca CORº MARITIMO. Um facto deveras estranho.

Documento

 

Documento

 

Documento

Portuguese Maritime Post Office
Early Entrance Marks

CORREIO MARITIMO
Lisboa
1840
Period : 1837-1853 (blue)

(ver imagem na página seguinte, 64% da dimensão original)

Barca AMELIA GRANDE
Mail route: Loande Angola-Lisbon

Postal History
Cover sent from Loanda to Oporto via Lisbon by "Correio maritimo"; Letter written the l5th December of 1840. Received in Lisbon the l2th February of 1841 and sent to Oporto, arriving the l7th February. Post Office rate: 80 (applied by mettalic stamp in Lisbon, and the extra postage of 70 Reis (Lisbon-Porto). On back, the cancellation date from Lisbon (square type) 12/LISBOA/2 and the oval cancellation date of Porto Post Office. 17/PORTO/2 in blue pale.

Carta circulada em Correio Marítimo

Portuguese Maritime Post Office
Early Entrance Marks

CORREIO MARÍTIMO
Lisboa,
1826
Period: 1798 - 1828

(ver imagem na página seguinte, 65% da dimensão original)

Brigue "Vencedor"
Mail route : Pernambuco (Brasil) - Porto (Portugal)
Postal History
Cover sent from Pernambuco Brasil, to Porto via Lisbon. Letter written the 19th August 1826 (according the manuscript indication) and received in Oporto the 18th December 1826. Postage rate 80 Reis applied by Portuguese Post Office in Lisbon by means a mettalic stamp. On back: Mark GM Guarda mor da Casa de Saude da Belem.

 

Carta circulada em Correio Marítimo

Portuguese Maritime Post Office
Early Entrance Marks
CORREIO MARITIMO. 1819
Period: 1798 - 1828
A extensão do Serviço de Correio Marítimo ao Ultramar Português e o transporte de Malas de Correio a bordo de Navios Portugueses mercantes da Índia para Portugal via Brasil. Referencia: Ver Conferência lavada a efeito na Academia de Marinha pelo autor, em 1994
Navio LEAL PORTUGUEZ
Mail route: Calcuta (Br. India) to Lisbon (Portugal)
via : Brasil (Rio)
Postal History: Cover sent from Calcutta (British India) to Lisbon. Letter written the 20 January 1819 (according the manuscript indindication on back) and received in Lisbon the l2th July 1810. Postage rate: 120 Reis, corresponding to letters with 4/8 to 8/8 ouces weight. Applied by pen

Carta circulada em Correio Marítimo

NOTAS (1) Termino com estas notas, alguns excertos do livro "NAVEGAÇÃO NO TEJO E CORREIOS MARITIMOS NOS ANOS QUE PRECEDERAM AS INVASÕES FRANCESAS ATË À INDEPENDENCIA DO BRASIL" que conto editar no ano de 2001.
(2) Codice 103 do Marco dos Navios.
(3) Foi necessário passarem quasi vinte anos para o autor ver uma carta dirigida do Brasil para Portugal, ostentando um Carimbo ou marca CORº MARITIMO e o nome manuscrito de um Paquete Correio-Marítimo.

 

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