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SELOS DE PORTUGAL - ÁLBUM I

Carlos Kullberg

 

Série 021 
1898
Emissão comemorativa do 4º centenário do descobrimento do caminho marítimo para a Índia

A Sociedade de Geografia de Lisboa, lançou a ideia de comemorar o 4º centenário do descobrimento do caminho marítimo para a Índia, e nomeada uma comissão para as comemorações, decidiu esta, fazer uma emissão de selos comemorativos, cuja venda ajudaria as despesas da comissão, que pretendia construir em Lisboa, um monumento a Vasco da Gama. Aberto concurso para os respectivos desenhos, concorreram 15 artistas que apresentaram 45 trabalhos, de entre os quais foram escolhidos os 8 reproduzidos nesta série. A gravação a talhe doce foi feita por Waterlow & Sons Ltd de Londres, que utilizou papel finamente pontinhado em losangos, com denteados de linha de 13,5 e 15,5. Circularam durante três meses (Abril a Junho), tendo-se vendido 11.820.971 selos, duma emissão que totalizava 28.900.000.
O selo de 2,5 reis verde azul, representa «A frota de Vasco da Gama, emoldurada por emblemas náuticos e geográficos» em desenho de Roque Gameiro, tendo a sua venda atingido 4.166.199 exemplares. O selo de 5 reis vermelho, representa «Vasco da Gama chega a Calcutá» em desenho de Manuel Pedro de Faria Luna, tendo a sua venda atingido 2.011.692 exemplares.
O selo de 10 reis violeta, representa «Determinei de assim nos embarcarmos» em desenho de Silvestre Correia Belém, tendo a sua venda atingido 632.032 exemplares.

   

O selo de 25 reis verde amarelo, representa «Uma janela manuelina, a figura da História e, ao fundo, a frota» em desenho de João Vaz, tendo a sua venda atingido 4.258.145 exemplares. O selo de 50 reis azul escuro, representa «Uma janela manuelina deixando ver o galeão, com a legenda Se mais mundo houvera lá chegara em cima, dois medalhões com Vasco da Gama e Camões» em desenho de José Júlio Gonçalves Coelho, tendo a sua venda atingido 344.414 exemplares.
O selo de 75 reis castanho, representa «O escudo de armas manuelino e a figura de S. Gabriel sobre o casco de um navio» em desenho de João Vaz, tendo a sua venda atingido 111.214 exemplares.

   

O selo de 100 reis castanho amarelo, representa «Varanda manuelina deixando ver a frota e tendo aos lados figuras sustentando escudos, um com a esfera armilar, outro com a Cruz de Cristo» em desenho de João Ribeiro Cristino da Silva, tendo a sua venda atingido 225.862 exemplares. O selo de 150 reis bistre, representa «O escudo português manuelino e por trás o vulto de Vasco da Gama, à esquerda uma figura de sereia sustentando um galeão, ao fundo paisagem indiana» em desenho de João Vaz, tendo a sua venda atingido 71.413 exemplares.

 

DESCOBRIMENTO DO CAMINHO MARÍTIMO PARA A ÍNDIA. Escolheu D. Manuel para o comando das quatro velas grossas que mandara aprestar com destino à Índia, Vasco da Gama. A armada era constituída pelas naus “S. Gabriel” do comando de Vasco da Gama tendo por piloto Pero de Alenquer, e “S. Rafael” do comando de Paulo da Gama (irmão de Vasco da Gama) tendo por piloto João Coimbra, pelas caravelas “Bérrio” do comando de Nicolau Coelho tendo por piloto Pedro Escobar, e “S. Miguel” do comando de Gonçalo Nunes (homem da casa dos Gamas), com mantimentos. No dia 7 de Julho de 1497, depois de completados os preparativos, os comandantes foram piedosamente velar a noite na Capela de N. S. do Restelo, sítio onde mais tarde se construiu o Convento dos Jerónimos em Belém. No dia 8, aí se celebrou missa a que assistiu o Rei, partindo depois a armada. A pequena frota, carregava além de armas, diversas mercadorias destinadas aos povos que iam conhecer. No dia 15 de Julho chegou a armada às Ilhas das Canárias, em 26 à Ilha do Sal em Cabo Verde, e a 27 á Ilha de Santiago. A 3 de Agosto separaram-se da armada de Bartolomeu Dias, que os acompanhara até então, e cujo destino era a “Mina”. A 4 de Novembro, fundearam na angra que chamaram Santa Helena. Levantaram ferro a 16, e avistaram a 19, o Cabo da Boa Esperança tendo tido três dias de luta para o passar, fundeando a 25 na Baia de S. Braz, onde colocaram o primeiro padrão de pedra. Viagem tormentosa e cheia de lutas com a natureza e com os nativos das terras onde arribaram! A 15 de Dezembro avistaram os Ilhéus Chãos, a 16 passaram pelo último padrão posto por Bartolomeu Dias próximo do Ria do Infante. A 14 de Janeiro de 1498 descobriram uma terra baixa em que entraram no dia 24 e a que deram o nome dos “bons sinais” (hoje Quelimane). A 2 de Março entrava a armada no canal de Moçambique, e daí se dirigiu para Melinde a 12 de Abril, depois de ter estado fundeada junto à Ilha de Mombaça. Chegaram a Melinde a 15 de Abril, onde estiveram ancorados e foram muito bem recebidos pelo Xeque, que lhes deu um fiel piloto que viria a conduzir a armada até Calcutá, onde fundearam a 24 de Maio, estando assim descoberto o caminho marítimo para a Índia, depois duma viagem de dez meses e meio. Iniciado o regresso a 29 de Agosto de 1498, o primeiro a chegar a Lisboa foi Nicolau Coelho, em 10 de Julho de 1499 trazendo a notícia tão ansiosamente esperada. Depois de ver morrer seu irmão Paulo, Vasco da Gama regressou a Lisboa a 29 de Agosto, terminando assim, a famosa viagem que durou vinte e seis meses.

  

 

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