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SELOS DE PORTUGAL - ÁLBUM I

Carlos Kullberg

 

Série 017
1894 – Emissão comemorativa do 5º centenário do nascimento do Infante D. Henrique

Desenhos de José Veloso Salgado, sendo os selos de 5 a 100 reis litografados em folhas de 100, e os selos de 150 a 1000 reis gravados a talhe doce e impressos em folhas de 25, trabalhos efectuados em Leipzig, por Giesecke & Devrient. O papel é levemente pontinhado em losangos, e o denteado 14. Foi esta a primeira emissão portuguesa, de selos comemorativos, e a ideia nasceu na comissão nomeada pela Câmara Municipal do Porto, para dirigir as comemorações do centenário do Infante D. Henrique, tendo em vista a obtenção de fundos para a estátua do Infante na cidade do Porto, e para as despesas com os festejos comemorativos. Estes selos circularam durante dez dias (4 a 13 de Março de 1894) no Continente e nos Açores (sobrecarga Açores), e para a sua obliteração foi desenhado um carimbo especial com os dizeres “1394 – CENTENARIO – 1894” de que se fizeram 60 exemplares, distribuídos pelas estações postais das capitais dos distritos. Esta série não teve a saída prevista e assim, dos 3.676.269 selos postos à venda no Continente, somente 1.066.115 foram vendidos, queimando-se na Casa da Moeda, os restantes 2.610.154.

   

Foram vendidos 267.951 selos de 5 reis laranja, 143.438 selos de 10 reis lilás rosa, 82.584 selos de 15 reis castanho, e 78.757 selos de 20 reis violeta. O desenho representa «O Infante na proa duma caravela», ladeado por dois navegadores.
Foram vendidos 237.242 selos de 25 reis verde, 66.471 selos de 50 reis azul, 37.941 selos de 75 reis carmim, 32.686 selos de 80 reis verde amarelo, e 43.724 selos de 100 reis castanho sobre amarelo. O desenho representa «O Infante no promontório de Sagres», observando a partida das caravelas para os descobrimentos; em ambos os lados, símbolos das conquistas.

     

 

Foram vendidos 23.106 selos de 150 reis rosa, 19.344 selos de 300 reis azul sobre salmão, 16.935 selos de 500 reis malva sobre azul, e 15.936 selos de 1000 reis preto. O desenho representa «O Infante», sentado, tendo a mão direita apoiada na esfera armilar, e a esquerda no globo terrestre. Aos pés, um leão, símbolo do poderio dos portugueses.

   

INFANTE D. HENRIQUE. Nasceu no Porto, a 4 de Março de 1395. O “Navegador” foi o quinto filho de D. João I e da Rainha D. Filipa de Lencastre, sua mulher. Foi grão-mestre da Ordem de Cristo, Duque de Viseu, Fronteiro-mor de Leiria, Senhor da Covilhã, de Lagos e de Sagres no Algarve, de cujo domínio era “Governador Perpetuo”. Comandou a frota que conquistou Ceuta em 21 de Agosto de 1415, e igualmente fez parte da expedição à mesma Praça em 1437, onde havia de ficar cativo, seu irmão, o Infante D. Fernando. Fundou na Vila do Infante (hoje Sagres), uma Escola de Cosmografia e Navegação, onde recebiam ensinamentos, os futuros navegadores. Estabeleceu na mesma Vila, estaleiros e oficinas de construção naval, montando igualmente, o primeiro observatório astronómico existente em Portugal. Suas naus descobriram em 1418 as Ilhas de Porto Santo e Madeira, em 1432 as Ilhas dos Açores, em 1434 dobraram o Cabo da Boa Esperança, em 1436 descobriram as costas do Rio do Ouro, em 1441 o Cabo Branco, em 1443 a Ilha de Arquim, em 1446 a Serra Leoa, em 1457 a Gâmbia, em 1460 as Ilhas de Cabo Verde, dando assim início ao que viria a ser um dos maiores impérios do mundo. O Infante D. Henrique, que foi o maior matemático do seu tempo, dedicou-se às ciências cosmográficas, tendo sido o inventor das “cartas planas”. Faleceu em Sagres, a 13 de Novembro de 1460.

  

 

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