|
Por
sugestão do director da revista vimarenense “Gil Vicente”,
foi estudada a emissão comemorativa, sendo o desenho de autoria
da artista Raquel Roque Gameiro Ottolini, que cometeu o erro da
legenda “Gil Vicente no Auto do Vaqueiro” quando não existe
nenhum Auto do Vaqueiro, mas sim Auto da Visitação, do qual
faz parte o Monólogo do Vaqueiro. A gravura é de Arnaldo
Fragoso, e a impressão tipográfica da Casa da Moeda, foi feita
sobre papel porcelana, em folhas de 100 selos com denteado 11,5.
Foram emitidos 21.110.000 selos de $40 castanho e 10.364.000
selos de 1$00 carmim. Circularam a partir de 29 de Julho/37 a
taxa de $40 e 20 de Agosto/37 a taxa de 1$00 tendo sido
retirados de circulação em 1 de Outubro de 1945.
|
|
GIL
VICENTE. Comediógrafo e
lírico, um dos máximos escritores de Portugal, nasceu talvez em
Guimarães, cerca a 1465 e morreu talvez em fins de 1536 ou princípios
de 1537. O conhecimento que nas suas obras ele revela da
linguagem, dos costumes, das superstições do povo, tem levado
eruditos a julgarem-no nascido de gente popular. Nada de seguro se
sabe acerca das pessoas que o instruíram, dos estudos que fez! É
muito debatido o problema da sua biografia, não estando apurado
se Gil Vicente trovador, era ou não o mesmo que Gil Vicente
ourives, autor de inúmeras obras de arte das quais se destaca a célebre
“Custódia de Gil Vicente” lavrada com o ouro das primeiras páreas
pagas pelo Rei de Quíloa, e doada por D. Manuel, em testamento,
ao Mosteiro de Santa Maria de Belém. O período da sua actividade
teatral, decorre entre 1502 e 1536. Apresentou a sua primeira
obra, na noite de 7 para 8 de Junho de 1502, no Paço da Alcáçova
e na câmara da rainha D. Maria, segunda mulher de D. Manuel e
terceira filha dos reis católicos de Espanha que ás duas horas
da madrugada do dia 6 dera à luz o príncipe D. João (futuro D.
João III). Chamava-se a obra, “Auto da Visitação”, em que
depois do autor representar o «Monólogo do Vaqueiro» apareciam
trinta porqueiros e vaqueiros com ovos, leite, queijos e mel, para
o Príncipe recém-nascido. Escreveu Gil Vicente dezenas de obras,
entre Autos, Trágico-comédias, Farsas, etc.. O Index publicado
em Lisboa, em Julho de 1551 pelo Cardeal-Infante Dom Henrique, proíbe
sete destas peças.
|