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SELOS DE PORTUGAL - ÁLBUM II

Carlos Kullberg

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Série 034
1925 – Emissão Comemorativa do 1º Centenário do Nascimento de Camilo Castelo Branco

Criada a Grande Comissão do Monumento a Camilo Castelo Branco, pensou esta imediatamente, na emissão de selos comemorativos do primeiro centenário do nascimento do grande escritor, revertendo o produto da venda, a favor da construção do monumento. Tendo os CTT uma comissão pró-sanatório dos Correios e Telégrafos foi determinado que o lucro fosse dividido por estas duas comissões. O primeiro dia de circulação que havia sido marcado para 16 de Março, foi adiado por dez dias, para que os selos podessem ser distribuídos pelas várias estações do País e assim circularam nos dias 26, 27 e 28 de Março de 1925, continuando a sua venda para fins filatélicos, até que em 1934 foram novamente postos em circulação os valores de $04 $05 $06 $10 $15 $20 $25 $30 $40 $50 $80 1$00 1$20 1$60 2$00 e 4$50, e em 1935 os valores de $75 10$00 e 20$00. Em 1 de Outubro de 1945, foram definitivamente retirados de circulação. Estes selos foram impressos por Waterlow & Sons Ltd. de Londres, em folhas de 100 selos com denteado 12,5 utilizando papel pontinhado em losangos. Tomaram por base as taxas da anterior série de Camões, sendo os 31 valores postos em segunda impressão a preto sobre seis desenhos diferentes:

CASA DE S. MIGUEL DE SEIDE. Desenho de Alberto de Sousa inspirado em fotografia publicada pela Revista “Ocidente” de 1890, e gravura a talhe doce de George Fairweather. Foram emitidos 400.000 selos de $02 laranja, 400.000 selos de $03 verde, 400.000 selos de $04 ultramar, 430.000 selos de $05 vermelho, 405.000 selos de $06 lilás vermelho, e 400.000 selos de $08 sépia.

   

   

GABINETE DE TRABALHO DE CAMILO CASTELO BRANCO. Desenho de Alberto de Sousa inspirado em fotografia publicada pela Revista “Ocidente” de 1890, e gravura a talhe doce de George Fairweather. Foram emitidos 420.000 selos de $10 azul claro, 400.000 selos de $16 laranja, 410.000 selos de $20 violeta cinzento, 420.000 selos de $30 bistre, 410.000 selos de $32 verde, e 230.000 selos de $48 castanho vermelho.

   

   

CAMILO CASTELO BRANCO. Desenho de Alberto de Sousa inspirado num retrato do escritor, e gravura a talhe doce de John Harrison. Foram emitidos 420.000 selos de $15 verde azeitona, 420.000 selos de $25 carmim, 910.000 selos de $40 verde e preto, 220.000 selos de $80 castanho, 370.000 selos de 1$60 azul escuro e 250.000 selos de 4$50 vermelho e preto.

   

   

TERESA DE ALBUQUERQUE. Personagem do romance “Amor de Perdição”. Desenho de imaginação de Alberto de Sousa, e gravura a talhe doce de John Harrison. Foram emitidos 210.500 selos de $50 verde azul, 210.000 selos de $64 castanho amarelo, 210.000 selos de $75 ardósia, 240.000 selos de $96 carmim, 200.500 selos de 1$00 azul violeta, e 201.000 selos de 1$20 verde amarelo.

         

          

MARIANA E JOÃO DA CRUZ. Personagens do romance “Amor de Perdição”. Desenho de imaginação de Alberto de Sousa, e gravura a talhe doce de John Harrison. Foram emitidos 203.000 selos de 1$50 azul s/ azul, 205.000 selos de 2$00 verde escuro s/ verde, 200.500 selos de 2$40 vermelho s/ amarelo, 200.500 selos de 3$00 carmim s/ azul, 201.500 selos de 3$20 preto s/ verde, e 201.000 selos de 10$00 sépia s/ amarelo claro.

   

    

SIMÃO BOTELHO. Personagem do romance “Amor de Perdição”. Desenho de imaginação do artista Alberto de Sousa e gravura a talhe doce de John Harrison. Foram emitidos 200.500 selos de 20$00 preto s/ amarelo.

CAMILO CASTELO BRANCO. Célebre polígrafo do século XIX. Romancista, polemista, dramaturgo, poeta, biógrafo, bibliógrafo, crítico, cronista, investigador histórico, jornalista, tradutor, revedor e anotador de trabalhos alheios, organizador de edições, escreveu sermões por encomenda e ele mesmo se evidenciou como orador. Acima de tudo, foi novelista e satírico, no que brilhantemente ocupa lugar, entre os primeiros da Península. Era filho ilegítimo de Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco e de Jacinta Rosa do Espírito Santo. Nasceu em Lisboa a 16 de Março de 1825. Passou uma vida tormentosa a que veio juntar-se a doença, o filho louco, a falta de vista, as dificuldades financeiras, a impossibilidade de trabalhar, as mais cruéis dores físicas e morais, e com a cegueira por ultimo, na desesperança de qualquer melhora suicidou-se em S. Miguel de Seide em 1 de Junho de 1890, com um tiro de revolver. Entre as suas inúmeras obras, pode-se destacar o romance “Amor de Perdição” cuja primeira edição saiu na cidade do Porto no ano de 1862.
O 1º Centenário do Nascimento de Camilo Castelo Branco - Foi festivamente festejado em todo o país. Apareceram muitas publicações camilianas, e toda a imprensa celebrou o facto. Realizaram-se conferencias, saraus e sessões solenes. Em Lisboa lançou-se a primeira pedra para o monumento a Camilo, e descerrou-se a lápida comemorativa do seu nascimento, no prédio nº 5 a 13 da Rua da Rosa. No Porto efectuou-se uma romagem ao seu túmulo no cemitério da Lapa, e inaugurou-se-lhe um busto de bronze, na avenida que tem o seu nome. Em Famalicão descerrou-se um monumento e em S. Miguel-de-Seide realizou-se uma romagem à casa onde o escritor viveu os últimos 27 anos. Em Vila Real lançou-se a primeira pedra para um busto. Em Viana do Castelo colocou-se uma lápida na casinha onde Camilo algum tempo morou.

 

 

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