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Deve-se
esta emissão ao Presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, Afonso
de Dornelas, que não tendo conseguido chamar à CVP a
anterior emissão (Travessia Aérea do Atlântico Sul), estudou
e propôs a comemorativa camoniana, que circulou nos dias 11 a
13 de Novembro, continuando a ser vendida aos filatelistas, pelo
seu valor facial até 14 de Julho de 1926 (sendo a receita
repartida pelas CTT e CVP) data em que por despacho ministerial
foram entregues à CVP, todos os selos ainda em stock (cerca de
5 milhões), passando esta entidade a negocia-los por preços até
inferiores ao facial e tendo-se também aproveitado deles como
selos privativos, sobrecarregando 1,5 milhões. Foram
impressos por Waterlow & Sons, Ltd. de Londres, em folhas de
100 selos com denteado 14 e utilizando papel pontinhado em
losangos. Tomaram por base as taxas dos selas “Ceres” em
circulação, postas em segunda impressão a preta e distribuídas
por 7 desenhos diferentes:
CAMÕES EM CEUTA. Desenho de imaginação do artista Alberto de
Sousa, e gravura a talhe doce de John Harrison. Foram emitidas
205.000 selos de $02 azul claro, 205.000 selas de $03 amarelo
laranja, 210.000 selos de $04 ardósia, 230.000 selos de $05
verde amarelo, e 205.000 selas de $06 carmim.
CAMÕES
SALVANDO OS LUSÍADAS DO NAUFRÁGIO. Desenho de Alberto de Sousa
que se inspirou no desenho do mesmo tema e que a Biblioteca
Nacional usa para marcar os livros de sua edição, mormente no
frontispício da reimpressão fac-símile dos Lusíadas, edição
de 1921. A gravura a talhe doce é de John Harrison. Foram
emitidos 201.000 selos de $08 tijolo, 220.000 selos de $10 azul
violeta, 300.000 selos de $15 verde azeitona, 210.000 selos de
$16 lilás vermelho, e 220.000 selos de $20 laranja.
RETRATO
DE LUIZ DE CAMÕES. Desenho de Alberto de Sousa que se inspirou
na reprodução de um retrato gravado em 1622 por A. Paulo, por
ordem de Gaspar de Faria Severim, secretário das mercês de D.
João IV, conselheiro de estado de D. Afonso VI, e poeta, para o
oferecer a seu tio Manuel Severim de Faria, Cónego da Sé de Évora,
e impresso na obra deste, intitulada “Discursos Vários Políticos”
Évora 1624. A gravura a talhe doce é de John Harrison. Foram
emitidos 320.000 selos de $25 violeta cinzento, 220.000 selos de
$30 castanho, 210.000 selos de $32 verde escuro, 810.000 selos
de $40 ultramar, e 220.000 selos de $48 castanho vermelho.
PORTADA DA 1ª EDIÇÃO DOS LUSÍADAS. Desenho de Alberto de
Sousa, segundo a edição fac-símile de 1921 da Biblioteca
Nacional, e gravura a talhe doce de George Fairweather. Foram
emitidos 200.500 selos de $50 laranja, 210.000 selos de $64
verde, 210.000 selos de $75 violeta, 220.000 selos de $80
bistre, e 240.000 selos de $96 carmim
ÚLTIMOS MOMENTOS DE CAMÕES. Desenho de Alberto de Sousa,
baseado num quadro de Domingos António de Sequeira, exposto no
Museu Real das Artes de Paris em 25 de Agosto de 1824 e cujo
paradeiro se desconhece. A gravura a talhe doce é de John
Harrison. Foram emitidos 200.500 selos de 1$00 azul esverdeado,
201.000 selos de 1$20 castanho claro, 203.000 selos de 1$50
vermelho, 370.000 selos de 1$60 azul ardósia, e 205.000 selos
de 2$00 verde azul claro.
TÚMULO DE CAMÕES. Desenho de Alberto de Sousa, em fonte
directa do túmulo para onde foram transportados os restos
mortais do grande épico, em 8 de Junho de 1880 e que é obra do
escultor Costa Mota. A gravura a talhe doce é de George
Fairweather. Foram emitidos 200.500 selos de 2$40 verde s/
verde, 200.500 selos de 3$00 azul escuro s/ azul, 201.500 selos
de 3$20 preto s/ verde, 250.000 selos de 4$50 preto s/ amarelo,
e 201.000 selos de 10$00 sépia s/ rosa.
MONUMENTO A LUIZ DE CAMÕES. Desenho de Alberto de Sousa em
fonte directa do monumento inaugurado em Lisboa em 9 de Outubro
de 1867, e que é obra de Victor Bastos. A gravura a talhe doce
é de George Fairweather. Foram emitidos 200.500 selos de 20$00
violeta s/ malva.
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LUIZ
VAZ DE CAMÕES. Nasceu em Lisboa em 1524 e era filho único de
Simão Vaz de Camões e de sua mulher D. Ana de Sá e Macedo,
aparentada com a casa de Vimioso. Com três anos de idade, ficou
na companhia de sua mãe, ao cuidado de seu tio D. Bento de Camões,
cónego de Santa Cruz em Coimbra, por seu pai ter partido para a
Índia em busca de fortuna. Cursou teologia por vontade de seu
tio, mas provada a sua pouca vocação, passou a cursar
filosofia. Em 1544 nas festas da Semana Santa, encontrou pela
primeira vez D. Catarina de Ataíde, da qual se enamorou com uma
paixão que seria a causa das desgraças de toda a sua vida.
Desde novo, demonstrou o seu valor poético que logo atraiu
invejas. Os seus amores por D. Catarina foram aproveitados pelos
seus inimigos, que não se pouparam a calúnias e intrigas, com
a intenção de o afastar da côrte. Em 1547 partiu para Ceuta
onde militou dois anos, sendo nessa altura atacado de surpresa
por uma tribu de “cabilas”, perdendo a vista direita em
combate. Foi em Ceuta que iniciou a sua grande obra “Os Lusíadas”.
Regressando a Lisboa em 1549, entregou-se à obra que iniciara
em Ceuta, mas continuando a ser vítima de pérfidas perseguições,
acabou por ser preso durante um ano, tendo sido mandado para a
Índia em 1553 quando em liberdade. Da Índia foi mandado para
Macau em 1556 com um lugar público que ocupou durante dois anos
(na célebre gruta continuou o seu poema), ao fim dos quais
regressou sob prisão á Índia, novamente vítima dos seus
inimigos. No regresso a Goa, naufragou na foz do rio Mecon, nas
costas de Cambodje, tendo-se salvo a nado, e salvando também o
manuscrito da sua obra. Ruído pelas saudades da sua Pátria,
resolve voltar a Lisboa na companhia dum escravo chamado António,
natural de Java, que muito se lhe afeiçoara e que o havia de
acompanhar o resto da vida, tendo chegado a Cascais a 7 de Abril
de 1570 na nau Santa Fé. Autorizado por alvará de 23 de
Setembro de 1571 publicou em princípios de 1572 o seu grande
poema, continuando uma vida de miséria, muitas vezes só
socorrida pelo jau António que às ocultas do amo, pedia esmola
com que lhe valia. Faleceu em Lisboa, numa pobre casa da calçada
de Sant'Ana no dia 10 de Junho de 1580. Além do imortal poema,
compôs o poeta, formosos versos bucólicos e satíricos,
sonetos, etc.. O seu corpo repousa no Convento dos Jerónimos em
Lisboa.
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