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| SELOS DE PORTUGAL - ÁLBUM II |
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Carlos Kullberg |
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Série
031
1923
– Emissão comemorativa da Travessia Aérea do Atlântico Sul
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Para
comemorar o grande feito, logo se organizou a “Grande Comissão
da Cidade de Lisboa” que pensou numa emissão de selos
comemorativos, cujo produto da venda se destinaria ás despesas
com os festejos. Esta ideia foi abandonada e outras propostas
para a referida emissão tiveram o mesmo fim, até que em 23 de
Outubro os senhores António Carneiro de Vasconcelos (banqueiro)
e Leandro Menezes Camacho (médico), contrataram com o Governo
em moldes mercantis, a emissão desta série destinada à
especulação. Foram litografados em folhas de 100 selos com
denteado 14, e utilizando papel pontinhado em losangos, pela
firma Waterlow & Sons Ltd. de Londres. O desenho de que se
desconhece o autor, tem de original a caravela e a cercadura,
sendo o restante de origem fotográfica; representa as efígies
do Presidente Pessoa do Brasil, do Dr. António José de
Almeida, Presidente da República Portuguesa, de Gago Coutinho e
de Sacadura Cabral, vistas do “Pão de Açúcar” e de Torre
de Belém, e ao centro uma caravela de 1500 (descoberta do
Brasil) e o avião “Lusitânia” 1922 (primeira travessia aérea
do Atlântico Sul). As cores foram baseadas nos selos
“Ceres” das mesmas taxas em curso. Foram emitidas 125.000 séries
que por contrato só poderiam ser levantadas da Casa da Moeda
pelos dois senhores que haviam contratado com o Governo, além
das quantidades entregues aos correios que foram as seguintes:
20.000 selos de 1 c. castanho claro, 48.070 selos de 2 c.
amarelo, 165.000 selos de 3 c. ultramar, 20.070 selos de 4 c.
verde amarelo, 15.700 selos de 5 c. bistre, 91.500 selos de 10
c. tijolo, 45.350 selos de 15 c. preto, 25.700 selos de 20 c.
verde, 351.200 selos de 25 c. rosa, 3.700 selos de 30 c.
castanho amarelo, 11.700 selos de 40 c. castanho escuro, 31.500
selos de 50 c. amarelo laranja, 5.500 selos de 75 c. lilás,
6.000 selos de 1$00 azul, 3.700 selos de 1$50 sépia, e 2.700
selos de 2$00 verde. Circularam de 30 de Março a 1 de Abril de
1923, e de 6 a 8 de Setembro de 24.
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TRAVESSIA
AEREA DO ATLÂNTICO SUL. No dia 30 de Março de 1922, partiu de
Belém, Gago Coutinho e Sacadura Cabral, tripulando um pequeno
hidroavião Farey baptizado com o nome de “Lusitânia”. No
dia 31 aportavam às Canárias de onde saíram em 5 de Abril
rumo a Cabo Verde, chegando a S. Vicente nesse mesmo dia. Em 17
fizeram o percurso até à Cidade da Praia, partindo no dia
seguinte para o maior voo sem escala. Ao chegarem aos penedos de
S. Pedro e S. Paulo onde se deveriam reabastecer de gasolina, o
mar levou-lhes um dos flutuadores, pelo que tiveram de
interromper a viagem, até que o paquete brasileiro “Bagé”
lhes trouxe novo Farey 16 enviado de Lisboa. Pouco depois,
quando tinham largado com destino a Fernando Noronha, o Farey 16
caiu no mar por avaria no motor, andando à deriva sem esperanças
de salvamento, por estarem fora das linhas normais de navegação!
Passados oito longos dias, foram recolhidos pelo vapor carvoeiro
inglês “Paris City” que os desembarcou em Fernando Noronha,
onde aguardaram a chegada de novo aparelho. O Farey 17 foi-lhes
levado pelo cruzador Carvalho Araújo, e a viagem dos dois
aviadores continuou, chegando ao Recife a 5 de Junho, e ao Rio
de Janeiro a 17 do mesmo mês, terminando assim a histórica
“Primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul” que muito
glorificou a aviação portuguesa.
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