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Álbum "Enciclopédico e
Histórico" de Selos de Portugal
A Federação Internacional de Filatelia
(FIP) determina regras para a apresentação dos diversos tipos
de colecções de selos postais, para que as mesmas possam
integrar exposições sob o seu patrocínio.
Se é certo que as regras impostas fazem com
que as colecções se apresentem nos mesmos parâmetros
facilitando a sua apreciação e no caso das exposições
competitivas a sua classificação, é também certo que muitas
vezes elas não são montadas a nosso gosto e imaginação.
O principal objectivo do meu empenho pelo
coleccionismo de selos não é, de forma alguma, a competição
mas sim o prazer e a voluntariedade pela pesquisa e estudo, ao
longo dos anos.
Ao folhear os meus álbuns sempre encontrei
particularidades fornecidas por esta ou aquela peça e ao
admirar cada um dos selos avaliando o interesse filatélico dos
mesmos e o pormenor das suas imagens, informações que reportei
de grande interesse, pensei na possibilidade de conseguir um
álbum com os necessários textos filatélicos explicativos
(desenhador, gravador, fonte de inspiração, impressão e
impressores, quantidades, taxas, cores, papeis, denteados) e
textos didácticos (biografias, histórias, descrições,
factos) respeitantes a cada selo ou emissão, nascendo assim a
ideia do "Álbum Enciclopédico e Histórico", que
melhor me faz conhecer os selos apresentados e compreender as
suas gravuras.
Iniciei o trabalho na década de sessenta e
passados anos fiquei satisfeito não só por ter conseguido o
meu objectivo, como ainda por verificar que até então nunca
alguém, julgo, tenha feito um álbum com estas
características.
Para exemplos de curiosidades vividas, no
trabalho "Histórico" recordo as dificuldades surgidas
com a figura de "Joana de Gouveia" (Primeira Emissão
Comemorativa da Independência de Portugal – 1926) , imagem
que me fez lembrar a "Padeira de Aljubarrota" mas cujo
nome não consegui encontrar em qualquer das diversas
Enciclopédias e Histórias de Portugal consultadas ! A
"Sociedade Histórica da Independência de Portugal",
promotora das séries "Independência – 1926/27/28"
igualmente ignorava a origem do nome e os Correios de Portugal,
por intermédio do seu Consultor Artístico, endereçaram o meu
pedido de esclarecimento a um Senhor Padre que, esse sim,
simpaticamente fez um pouco de luz sobre a personagem; no
trabalho "Filatélico" foi interessante conseguir a
descrição da gravura apresentada na série comemorativa do
"Ano Mundial do Refugiado – 1960", selos conhecidos
pelos "selos da forca" mas cuja gravura, realmente
muito semelhante a uma forca, representa "uma porta com o
símbolo das Nações Unidas (árvore arrancada da terra),
abrindo-se para a PAZ"...
Muitas outras curiosas dificuldades surgiram,
mas sempre as mesmas foram pacientemente ultrapassadas.
Quando se trabalha por prazer o trabalho não
cansa e quando se admite termos feito algo que julgamos de
valor, sentimo-nos recompensados.
Sintra, Abril de 2003
Carlos Kullberg |