O desenho do tipo de selo da primeira
emissão, posta em curso, representa um rectângulo no
sentido vertical, com pequenos arabescos nos cantos, no qual se
insere uma oval tendo a branco, sobre um fundo colorido, as
inscrições "SERVIÇO POSTAL" na parte superior e
"INDIA PORT", na parte inferior, separadas entre si
por dois ornamentos constituídos por quatro pequeninos traços,
formando uma cruz.
O interior da oval tem um fundo de 33 linhas
verticais, que não chegam a tocar a oval, deixando, assim, uma
orla branca, que contorna interiormente toda a mesma oval.
Todavia aconteceu que pelo menos duas vezes o
cinzel ou buril que esculpiu as 33 linhas veio riscar muito
superficialmente a orla branca, como podemos ver entre o
"D" e o "I" de "ÍNDIA" e entre o
"P" e o "O" de "PORTUGAL".
No riscado vertical do interior da oval, na
sua parte inferior, a palavra "REIS", em caracteres
romanos.
O valor, na mesma cor em que é impresso o
selo, era aposto numa segunda impressão.
É esta, primeira emissão, composta dos
seguintes valores:
- 10 réis na cor preta (Fig. 10)
- 20 réis na cor carmim escuro
- 40 réis na cor azul
- 100 réis na cor verde
- 200 réis na cor amarelo-ocre (Fig 11)
São impressos em papel fino, muito
calandrado, o que o torna bastante quebradiço, e são denteados
16-18, mas muito irregularmente.
É voz corrente que o denteado terá sido
feito por meio de umas réguas dentadas, de marfim ou de ferro,
que seriam colocadas, com os dentes para baixo, nos intervalos
entre os selos de uma folha já impressa, e depois, por meio de
pancadas dadas com um maço sobre as réguas, os dentes destas,
devido à pressão, perfuravam o papel.
As gravuras para a impressão teriam sido
feitas em chumbo ou estanho, por meio do punção de Jenardana
Goindozó, e depois fixadas por meio de pregos, numa prancha de
madeira, com a qual se fazia a impressão. Havia 100 gravuras
por folha.
Não nos parece que assim tenha acontecido
porquanto a prancha de madeira, com estas dimensões, sofreria
empenos pelo embate contínuo ao imprimir, e talvez fracturas, e
ainda porque se nos deparam várias anomalias, de difícil
explicação, para o caso de a impressão da folha ter sido
feita de uma só vez.
Evidentemente que se trata só da gravura
principal e não dos algarismos da taxa.
Assim:
Possuímos uma tira de três selos, da taxa
de 40 réis em azul, da 2ª emissão, em papel espesso, na qual
a intensidade da cor azul é diferente de selo para selo, sendo
esta diferença de colorido bastante acentuada.
Ainda da nossa colecção, fazem parte alguns
pares de várias taxas, nos quais a impressão de um deles é
normal, enquanto que a do outro apresenta dupla impressão da
gravura.
Como explicar, pois, tais anomalias com uma
só impressão, e simultânea, das 100 gravuras?
Nós não o conseguimos, e aventámos:
Não terá a impressão sido feita selo a
selo, tal como nessa data se fazia em Lisboa?
Não era assim, já bastante bem alinhados e
uniformemente distanciados entre si, que em Portugal eram
impressos os selos de D. Luís I do tipo conhecido por fita
direita?
A aposição da taxa nos "NATIVOS"
era feita depois da impressão da gravura, manualmente e um a um
nos selos, e até melhor conhecimento por aqui nos quedamos.
A saída e venda das estampilhas da 1‘
emissão estava marcada para o dia 1 de Setembro de 1871, mas,
pelas razões apontadas pelo Administrador Geral interino dos
Correios, o Governador da índia, pela portaria 294, publicada
no Boletim na 67, de 29 de Agosto, faz saber que:
"Atendendo às ponderações feitas
pelo Administrador Geral interino dos Correios, sobre a
impossibilidade em que se acha de dar cumprimento do 1"
do próximo mês de Setembro em diante, ao novo sistema do
serviço postal, por meio de estampilhas, como se acha
determinado pela portaria 284 do corrente mês...;
... hei por conveniente transferir para o
1º do seguinte mês de Outubro, o começo de execução do
referido sistema postal".
E assim no Domingo, 1 de Outubro de 1871, os
selos saíram e foram postos à venda.
Tudo nos leva a crer que, por virtude da nova
organização dos serviços de correio, as estampilhas se
esgotavam e naturalmente haveria portes elevados.
Mesmo antes do selo adesivo já essa
necessidade se verificava pois temos uma carta da época do selo
fixo, com 300 réis de porte, bem como outras com 350 e 600
réis.
E assim, pouco tempo após a saída da
primeira emissão, o Governador-Geral da índia Portuguesa, pela
portaria n° 321, publicada no Boletim n° 85 de 3 de Novembro
de 1871, determinava:
"Tendo-se verificado a necessidade de
taxas mais altas determina-se que na Imprensa Nacional se
imprimam as taxas de 300, 600 e 900 reis devendo a cor de
todos esses ser roxa".
Tudo nos leva a crer, não ter sido cumprido
integralmente, o que nesta portaria é determinado e um só
valor foi criado e dado à estampa, o de 300 reis.
Terá sido por esta altura, meados de
Novembro de 1871, que, conjuntamente com este selo de 300 reis,
haja sido feita uma nova tiragem de algumas das taxas mais
usadas ou já esgotadas, para a qual foi utilizado um papel mais
espesso.
Terão usado este papel por não haver já o
utilizado pela primeira vez ou porque reconhecido que tal papel
era melhor e não quebradiço? Não o sabemos.
O denteado mudou também, passando a ser
13½.
E assim, neste papel espesso, além do
selo de 300 réis impresso na cor castanha violeta, (Fig. 13) se
fez uma 2‘ tiragem dos selos das taxas de 10 réis na cor
preta, 20 réis nas cores carmim escuro e vermelho-alaranjado e
200 réis na cor ocre (Fig.12).
O selo da taxa de 600 réis não foi até
hoje visto e os exemplares conhecidos das taxas 900 réis, são
altamente duvidosos e, segundo a feliz frase de João Augusto
Marinho, que na sua colecção possui um exemplar, devem ser
"genuinamente falsos".
Segundo Carlos George, os valores de 600 e
900 réis não devem ter sido impressos, porquanto ia já
bastante adiantada a 28
emissão de selos e esta já incluía os citados valores.
De facto, assim deve ter acontecido, pois
possuímos em nossa colecção uma carta datada de Goa, 6 de
Dezembro de 1871, já franqueada com um selo de 20 réis
vermelho da 28 emissão,
sinal portanto que, pelo menos, este valor já estava em uso, e
não é lógico que tivesse sido possível em tão escasso
espaço de tempo – a portaria 321 é de 3 de Novembro de 1871
– preparar os cunhos e imprimir duas emissões, tanto mais que
estamos crentes de que esta nossa carta não será do primeiro
dia de emissão e que este se tenha antes situado seis dias
antes.
Porém, por tudo que aqui se diz e ainda
porque tivéssemos ensejo de apreciar vasta documentação em
posse do Coronel Guedes de Magalhães, estamos convictos da não
existência, na 1ª emissão e sua 2ª tiragem das taxas de 600
e 900 réis.
Mas uma vez que tudo é possível e ainda
porque houve documento oficial – a portaria n° 321 – que os
criou, nada nos garante que não possam aparecer algum dia
exemplares destes valores.
Se tal suceder e caso se possa provar a sua
autenticidade, tais exemplares só deverão ser considerados
como "PROVAS".
A notícia da emissão do primeiro selo
adesivo da índia Portuguesa foi comunicada aos
"selomaníacos" (recorde-se que, na altura,
"timbromanie" era a designação da Filatelia) por J.
B. Moens, negociante de selos em Bruxelas, na revista "Le
Timbre-Poste", número 12, página 27.
Nesta sua notícia, apresenta-nos em gravura
mais ou menos fiel a imagem do selo de 10 réis preto, que lhe
mereceu esta singular apreciação:
"Le timbre se distingue par sa laideur
et son execution des plus détestable; c’est même ce qui à
été produit de plus mauvais jusqu’a present. Sa grande
laideur cependant ne nous deplai pas trop: elle plaide en
faveur de son authenticité, et lui donne un cachet tout
local. Nous ne serions pas eloigné de lui donner la grande
naturalisation parmi les timbres vrais"
E o tempo se encarregou de confirmar
plenamente este vaticínio de Moens. De facto, os "NATIVOS
DA ÍNDIA", apesar da sua fealdade e singeleza, ou por isto
mesmo, impuseram-se na FILATELIA, como dos mais interessantes e
belos especimens do mundo dos selos, sendo altamente apreciados.
Continuando nas suas informações públicas,
Moens, a pag. 47 do n° 125, de Janeiro de 1873, apresenta a
relação dos selos emitidos na índia Portuguesa assim:
"1ère ISSUE - 1ère TYPE
Chiffre dans un oval a 32 lignes
verticales; papier mince uni, percé en points sur ligne:
10 réis noir gris
20 réis rouge vermillon foncé
40 réis bleu terne
100 réis vert-jaune pâle
200 réis jaune-olive
300 réis ?
600 réis ?
900 réis ?
Même type, percé 13 ½ en points sur
ligne
300 réis brun violet"
Mas já antes, a pág. 35 do n° 113, de Maio
de 1872, nos elucidára:
"Tous les timbres que nous avons eus
étaient piqués 16, sauf un 20 réis piqué 13 ½ et un
autre, même valeur, avec le piquage 12 ½"
Como também reconhece a saída de um outro
selo da taxa de 10 réis, porquanto a pág. 44 do n° 114 de
Junho de 1872, escreve:
"Les timbres piqués 16 se pont rares.
Les derniers 10 et 20 réis etaient piqués 13 ½ …".
É extraordinário que, sendo Moens
contemporâneo da primeira emissão dos "NATIVOS",
publicando mensalmente uma revista sobre selos, não tivesse
mencionado a existência de 600 réis e 900 réis nesta
emissão, só nos falando no 300 réis, em denteado 13 ½.
Inexplicável este silêncio, ou ignorância,
do negociante belga, tanto mais de espantar porquanto ele nos
esclarecia estar em relações directas com M. J. CAMPOS,
Director do Correio de Goa, e que lhe enviava exemplares de
todos os selos que iam sendo emitidos.
Desta primeira emissão, conhecemos uma carta
franqueada com dois selos isolados, da cor preta, em que num
deles foi aposta a taxa de 10, que a esta cor corresponde,
enquanto que o outro tem aposta a taxa de 40, que é o valor que
deveria corresponder à cor azul.
Na taxa de 100 réis, conhecemos a variedade
na cor verde esmeralda e ainda o mesmo selo com o 1 do da taxa
invertido.
A 12 de Dezembro de 1871, entrou em
exercício o Governador José Joaquim Macedo e Couto, General de
Divisão, que se manteve no cargo até 10 de Maio de 1875.
Em Dezembro de 1871, foi posta à venda uma
nova emissão de selos - a segunda emissão -, com
as seguintes características:
Fundo de 44 linhas verticais tocando a oval,
a palavra "REIS" em caracteres normandos, as letras da
palavra "SERVIÇO" todas do mesmo tamanho e os
ornamentos que separam a legenda "SERVIÇO POSTAL" e
"ÍNDIA PORT" são constituídos por 5 pontos formando
cruz, tendo sido impressos em papel espesso, bastante
calandrado.
É constituída pelos seguintes valores:
- 10 réis na cor preta (Fig. 14)
- 20 réis na cor vermelha
- 40 réis na cor azul (Fig.15)
- 100 réis na cor verde (Fig. 16)
- 200 réis na cor amarela
- 300 réis na cor violeta
- 600 réis na cor violeta
- 900 réis na cor violeta
Nesta tiragem em papel espesso, são
conhecidas algumas raridades das quais se destacam as duplas
impressões de valor nas taxas de 10, 20, 40, 100 e 600 réis
Nesta emissão, aparece-nos o 40 réis azul
"Têtebêche", (Fig. 17) que foi notado pela primeira
vez por M. A. ROTHSCHILD, como nos informa Moens, a pág. 27 do
n° 124, de Janeiro de 1873, conjuntamente com o aparecimento do
20 réis em papel azulado. Igualmente raro e de realce é a
dupla impressão de valor no 40 réis azul (Fig. 18).
Também desta emissão informa o negociante
de Bruxelas em seu jornal:
"Nous avons rencontré au 2° type, un
timbrefort rare. C’est le 100 reis, vert-bleu, imprimé sur
papier burelé gris et présentant en filagranne des lignes
obliques croisées formant losanges. Ce timbre à le perçage
actuel 14."
Até hoje é conhecido somente um exemplar,
que pertenceu ao Conde De Ferrari e depois a Sotto Mayor.
Posteriormente, em Abril de 1872, foi feita
nova tiragem, em papel avergoado, com os seguintes
valores
10 réis preto (Fig. 19)
20 réis laranja
40 réis azul
100 réis verde
200 réis amarelo
O"Tête-bêche" na taxa de 10
réis, em papel avergoado (Fig. 20), e o 100 réis, em papel
moiré, são as duas grandes raridades nesta emissão.
Ainda mais tarde, em Janeiro de 1873, uma
terceira tiragem foi feita, desta vez em papel fino levemente
azulado incluindo apenas o
20 réis vermelho (Fig. 21)
Novamente, em Julho de 1873, foi posta em
circulação uma nova emissão - a terceira -, impressa
com os cunhos da emissão de Outubro de 1871, em papel azulado,
relativamente fino, mas em que a figura se encontra com as
linhas de fundo mais espessas.
É composta dos seguintes valores:
- 10 réis preto (Fig. 22)
- 20 réis laranja (Fig. 23)
- 300 réis violeta
- 600 réis violeta
- 900 réis violeta (Fig. 24)
Algumas folhas têm filigrana "Original
Turkey Mill Kent".
De salientar, como variedade desta emissão,
as taxas de 10 e 20 réis, nas quais o "A" da palavra
"INDIA" foi impressa com um "V" invertido,
ou seja, um "A" sem traço.
Notamos igualmente o aparecimento de alguns
erros nesta emissão, dos quais salientamos a dupla impressão
de valor e o 1 invertido da taxa de 10 réis (Fig. 25)
Ainda mais raros, encontramos a dupla
impressão de valor da taxa de 20 réis (Fig. 26), a impressão
de 10 em vez de 20 réis (Fig. 27), os raríssimos 60 em vez de
600 réis (Fig. 28), a dupla impressão de valor do 600 réis
(Fig. 29) e do 900 réis (Fig. 30).
No ano seguinte, em 1874, uma nova emissão
– a quarta –, se nos oferece.
É do 1° Tipo - 1871-, só que a letra
"A" de "INDIA" não tem traço horizontal,
parecendo um "V" ao contrário, e com o mesmo
denteado. Os algarismos da taxa são também mais pequenos do
que os da emissão de 1873.
Foi utilizado papel azulado fino e
consta de:
- 10 réis preto (Fig . 31)
- 20 réis vermelho
Como na anterior, algumas folhas eram
filigranadas.
Em Abril de 1875, nova emissão surge – a
quinta –, é do Tipo 2 – linhas tocando a oval –, mas os
algarismos da taxa são mais pequenos que os da emissão de
Dezembro de 1871.
Também em papel fino, azulado e
composta de:
- 10 réis preto (Fig. 32 e 33)
- 15 réis rosa e vermelho (Fig. 34)
- 20 réis vermelho (Fig. 36)
É nesta emissão que foi criada a taxa de 15
réis, selo este que criou, no meio dos selos, forte
controvérsia entre o "AMERICAN JOURNAL OF PHILATELY",
que negava a autenticidade dos selos desta taxa, e Moens, que os
apresentara no mercado.
Como é natural, Moens acabou por demonstrar
irrefutavelmente a legitimidade dos selos que vendia, terminando
o seu escrito - pág. 68 do n° 153 de Setembro de 1875 - por
pôr à disposição dos contestadores a correspondência
trocada com o Director-Geral do Correio em Nova Goa.
Esta taxa destinava-se ao pagamento do porte
ao domicílio e o maior bloco conhecido é de 9 selos novos. É
conhecida a taxa de 15 réis com dupla impressão de valor e com
dupla impressão de cor (Fig. 35).
Igualmente conhecemos o 20 réis dupla
impressão de cor (Fig. 38), bem como este, com cor rosa
avermelhado, que é o colorido correspondente à taxa de 15
réis (Fig. 37).
O maior bloco que conhecemos desta emissão
é de 60 selos novos do 10 réis.
Em Março de 1876, a sexta emissão
foi distribuída para uso público.
Na gravura o fundo é formado por 41 linhas
verticais acima da palavra "REIS" e 43 abaixo da mesma
palavra. A palavra "REIS" é em caracteres normandos e
"V" de "SERVIÇO" tem um traço, como se de
um "A" invertido se tratasse de "V".
O papel utilizado para a emissão é azulado
fino e esta é composta dos seguintes valores:
- 10 réis preto
- 15 réis rosa
- 20 réis vermelho (Fig. 39 e 40)
- 40 réis azul
- 100 réis verde
- 200 réis amarelo
- 300 réis violeta
- 600 réis violeta
- 900 réis violeta
Conhecemos o selo de 20 réis com os
algarismos de taxa omitidos, mas igualmente raros são as duplas
impressões da taxa de 10, 15 e 20 réis.
Dois meses após é apresentada a sétima
emissão - Maio de 1876, que apresenta o tipo I - linhas de
fundo que não tocam a oval mas com a característica de o V de
"SERVIÇO" ser um A ao contrário, com o mesmo
denteado da emissão anterior.
Constituem esta emissão, em papel azulado,
os valores:
- 10 réis preto
- 20 réis vermelho
Existe o selo de 20 réis com dupla
impressão do valor.
O receio latente de que os selos eram
falsificados, e que, até ali, teria sido talvez o motivo de
constante saída de emissões, com pequenas alterações, teve
aqui a sua confirmação oficial.
Em consequência desse receio, o Governador
Geral Tavares de Almeida mandou, por portaria de 16 de Maio de
1877, alterar os cunhos existentes, acrescentando apenas uma
estrelinha por cima da indicação dos algarismos de taxa e uma
pequena linha branca horizontal por baixo da palavra
"REIS".
Foi fixado o prazo de 45 dias, a contar de 1
de Junho – entrada em circulação dos selos com estrelinha
–, para se recolherem e trocarem, na Contadoria Geral, os
selos de tipo antigo que passaram a não ter valor de franquia,
por invalidados.
Precisamente a 1 de Junho, uma nova emissão
de selos nativos foi posta em circulação. Era a oitava
emissão.
Foram feitos mais dois cunhos para esta
emissão, um do tipo I - linhas não tocando a oval e o outro do
tipo II - linhas tocando a oval nos quais foi acrescentada uma
estrela de 8 pontas arredondadas acima dos algarismos da taxa e
um traço a branco abaixo da palavra REIS
Saíram nesta emissão:
1° Tipo - REIS em Romanos
- 10 réis preto
2° Tipo - REIS em Normandos
- 10 réis preto
1° Tipo com REIS em normandos
- 10 réis preto (Fig. 41)
- 15 réis rosa
- 20 réis carmim
- 40 réis azul
- 100 réis verde
- 200 réis amarelo (Fig. 42)
- 300 réis violeta
- 600 réis violeta
- 900 réis violeta
É conhecido o selo de 40 réis com dupla
impressão de cor e também sem os algarismos de taxa, assim
como o de 900 réis com duplos alga-rismos de taxa.
Os selos de estrelinha pouco tempo estiveram
em uso, porquanto logo a 15 de Julho seguinte foram postos a
circular os selos "Tipo Coroa" idos da Metrópole.
Será pois esta a razão porque os selos desta emissão são
muito raros.
O motivo por que as emissões se sucediam
rapidamente, e com pequenas alterações nos cunhos, não está
hoje ainda bem comprovado. Segundo Carlos George, era por os
cunhos se desgastarem rapidamente, segundo Vitorino Godinho,
seria "pelo prazer de variar".
Julgo, no entanto, que nem um nem outro
estejam dentro da razão, e que este facto se deve filiar antes
no temor de que os selos fossem falsificados, como Moens nos diz
a pág. 76 do n°178.
"C’est probablement pour reconnaitre
les vrais timbres des soi-disant faux timbres, que l’administration
à pris cette mesure".
De facto, tem havido várias falsificações
dos selos nativos, não so feitas na época por um tal E.
REICHMANN, de Dresden, como as mandadas fazer à volta de 1938,
por pessoa moradora, ao tempo, na Rua Eugênio dos Santos,
99-3° andar, em Lisboa, que mandou executar a um seu amigo
gravador os "clichés" e, para a obtenção do papel
para a impressão, procurava pelos alfarrabistas livros da
época de 1871, quaisquer que eles fossem, desde que existisse
larga margem entre o corpo da impressão e o bordo da folha, de
modo a haver espaço branco de papel para a impressão dos
selos.
Duma vez, apareceu na casa Simões Ferreira,
na Rua do Arsenal, em Lisboa, com uma grande variedade de
nativos coladas em folhas de papel almaço amarelado, e estando
presente Carlos George , adquiriu vários, rejeitando outros,
dizendo que eram falsos.
Afinal, todos eram falsos.
Foi ele quem "emitiu" o de 40 réis
azul, que andou incluído na emissão de 1874 e foi
posteriormente retirado.
Dados os grandes prejuízos que o comércio
em geral sofria, e que provinham da disparidade de moeda com o
território vizinho, foi, em 1880, celebrada a Convenção
Monetária entre os Governos da índia Portuguesa e Inglesa, de
conformidade com o artigo 5° do Tratado Luso-Britânico de 26
de Dezembro de 1878.
E, assim, foi necessário subordinar,
paralelamente com a nova moeda, o preço dos selos, o que
efectivamente se fez a partir de 1 de Maio de 1881,
sobrecarregando as estampilhas existentes com o novo valor.
Mas os selos tipo " Coroa"
esgotaram-se e, para prover as necessidades do correio,
aproveitaram-se os selos NATIVOS de estrelinha das taxas 10 e 20
réis no número de 24500, sobrecarregando-os com o algarismo
"5", segundo se determina na portaria de 21 de Março
de 1881.
No entanto, em Abril de 1881 e novamente em
Maio do mesmo ano, receando-se que a emissão anterior se
esgotasse, foram aproveitados selos de várias emissões nativas
no total de 85 000 selos, que foram sobrecarregados também com
nova taxa, em moeda indiana.
O algarismo "5" foi impresso a
vermelho nos selos de 10 réis e o mesmo valor foi impresso a
preto nos selos de 20 réis, taxa essa destinada aos jornais,
tendo também sido impressa a preto no selo de 15 reis. Três
variedades de "5" impressos à mão foram utilizados,
sendo muito mais raro o mais pequeno que tem cerca de 4,5
milímetros de altura e é mais delgado do que os outros. Este
só se encontra na taxa de 20 réis (Fig 43).
Também em Maio de 1881, sobrecarregara-se à
mão os selos nativos de 20 réis com o valor 1 1/2 preto em
moeda indiana.
Em Maio de 1883, novas sobretaxas manuais,
também em moeda indiana, a preto e com os valores de 11/2, 41/2
e 6, foram aplicadas sobre selos nativos de várias emissões e
de diferentes tipos de papel.
Mais tarde, em Setembro de 1883, por não
serem suficientes para consumo os selos existentes, manda a
Junta da Fazenda Pública fazê-los imprimir sob direcção de
Assa Castel’Branco.
Novamente o tipo Nativo foi usado, servindo
para este fim as antigas chapas, com o valor em moeda indiana.
E, assim, saíram:
- 1 ½ réis preto, em 1 de Setembro de
1883 (Fig 44)
- 6 réis verde, em 17 de Outubro de 1883
Para esta emissão, foi usado o cunho que
serviu para a impressão do 10 réis, de estrelinha, com a
palavra "REIS" em caracteres romanos.
Porém, a taxa de 6 réis nalguns exemplares
foi omitida, o que constitui o selo mais raro desta emissão.
(Fig 45).
Nesta data, Setembro de 1883, outra tiragem
surgiu, em papel azulado fino e também em moeda Indiana:
- 1 ½ réis preto, em 1 de Setembro de
1883
- 4 ½ réis bistre, em 20 de Agosto de
1883
- 6 réis, verde, em 17 de Outubro de 1883
As letras da palavra "REIS" são em
caracteres normandos e os algarismos da taxa são maiores.
Nesta emissão, constituem variedades o
"tête-bêche", o valor omitido e a dupla impressão
do 1 1/2 réis preto (fig 46) e do 6 réis verde escuro (Fig
47), assim como o selo de 4 1/2 réis com a taxa omitida (Fig.
48).
Conhece-se também o selo de 1 1/2 réis com
a taxa impressa a verde.
Só mencionamos aqui, nas emissões nativas,
as variedades por nós conhecidas, mas ainda não incluídas em
catálogo.
Como melhor esclarecimento:
Basicamente, só dois tipos são de
considerar nos selos NATIVOS da índia Portuguesa:
1° Tipo - Fundo de linhas verticais que
não tocam a oval
2° Tipo - Fundo de linhas verticais que
tocam a oval
A partir destes 2 tipos, as
diferenças nos caracteres das palavras "REIS", em
romanos e normandos, a grafia da legenda "SERVIÇO POSTAL -
ÍNDIA PORT", os arabescos que separam estas legendas,
compostos por pequenos traços ou por pontos formando cruz e
ainda pela introdução de uma estrelinha acima dos algarismos
do valor, não são mais que detalhes introduzidos nos dois
tipos, formando assim as bases que caracterizam as várias
emissões.
Igualmente a diversidade do formato dos
algarismos usados para as taxas ajudam a determinar a emissão.
De uma maneira geral, para mais rápida
identificação dos Nativos da índia, podemos resumir assim as
suas características:
TIPO I
- "REIS" em caracteres romanos
- Fundo de linhas verticais que não tocam a
oval
Foi impressa em papel azulado fino.
Foi impressa em papel azulado fino.
Finalmente, só em 4 de Novembro de 1952,
aquando da Exposição Filatélica de Goa, foi apresentado
novamente o 10 réis tipo Nativo, conjuntamente com outro selo e
separados entre si por uma vinheta alusiva à mesma Exposição.