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THE NATIVE STAMPS OF PORTUGUESE INDIA
Some Considerations

Joaquim Leote

Dos Nativos da Índia e Suas Emissões

Fig. 10. 1871 - 10 reis. Ex. Admiral Bridges. Only unused multiple known.

Fig. 11. 1871 - 200 reis. Only multiple known.

Fig. 12. 1871 - 200 reis. Ex Admiral Bridges. From Margão to Macau - Nov. 27th 1872. Only "200 reis" on cover known.

Fig. 13. 1871 - 300 reis.

Fig. 14. 1871-2 - 10 reis. Ex. Admiral Bridges. Proof and the only unused multiple known.

Fig. 15. 1871-2 - 40 reis. Ex. Gonzalez Garcia. The biggest block known.

Fig. 16. 1871-2 - 100 reis. Ex Gonzalez Garcia. The biggest block known.

Fig. 17. 1971-2 - 40 reis. Tête-bêche 40 reis.

Fig. 18. 1871-2 - 40 reis. Double "40"

Fig. 19. 1871-2 - 10 reis. Ex. G. Garcia. The biggest block known.

Fig. 20. 1871-2 - 10 reis. Tête-bêche. The only unused strip of three.

Fig. 21. 1871-72 - 20 reis. (A) Ex Abecassis. The biggest unused multiple known. (B) Ex Sotto Mayor. The Only used multiple known.

Fig. 22. 1873 - 10 reis. This is the only sheet known in the first 13 emissions without overprint on the "Native" stamps.

Fig. 23. 1873 - 20 reis. Ex. Gonzalez Garcia. The biggest block known.

Fig. 24. 1873 - 900 reis. Ex. Abecassis. The biggest block known.

Fig. 25. 1873 - 10 reis. A & B. Double "10" C. "1" inverted.

Fig. 26. 1873 - 20 reis. A. Double 20. B. Double impressionFig. 26. 1873 - 20 reis. A. Double 20. B. Double impression.

Fig. 27. 1873 - 20 reis. 10 instead 20.

Fig. 28. 1873 - 60 reis.60 instead 600.

Fig. 29. 1873 - 600 reis. Ex. Admiral Bridges. Double 600.

Fig. 30. 1873 - 900 reis. (A) Dupla impressão de último 0 de 900. (B) Dupla impressão 900.

Fig. 31. 1874 - 10 reis. (A) Broken die under "IÇ" of "SERVIÇO". (B) The biggest unused block known.

Fig. 32. 1875 - 10 reis. Ex. G. Garcia. The biggest unused block known. Arrow show 10 anf 20 on the same stamp.

Fig. 33: 1875 - 10 reis. Envelope from Mapuçá, Jun. 6-1875, to Margão. The only pair on cover.

Fig. 34. 1875 - 15 reis. Biggest block known.

Fig. 35. 1875 - 15 reis. Double impression.

Fig. 36. 1875 - 20 reis. The biggest unused block known.

Fig. 37. 1875 - 20 reis. Error of colour.

Fig. 38. 1875 - 20 reis. Double impression.

Fig. 39. 1876 - 20 reis. The biggest unused block known.

Fig. 40. 1876 - 20 reis. Letter from Bombay May 16 th 1877 to Pondá, arriving 21 st. Boxed "TOO LATE" and without 1/2 Anna. Paid 1 Anna and more 15 reis for domiciliary delivery charge. Total fine 0.1.05.

Fig. 41. 1877 - 10 reis. Ex. G. Garcia. The biggest piece known.

Fig. 42. 1877 - 200 reis. Ex. Admiral Bridges. Maior bloco conhecido.

Fig.43. 1881 - Small 5 on reis. Damão - local surcharge. (A) Ex. Abacassis. Double "5" - Unique. (B) Unused - Unique. (C) Ex. G. Garcia. Unused - Unique. (D). Ex. G. Garcia. This stamp is signed by J. Ell and is indicated in his book "Monografia de Selos da India Portuguesa", Unique. (E) Normal "5".

Fig. 44. 1883 - 6 reis. The only multiple known.

Fig. 45. 1883 - 6 reis. Cover from Mormugão - Jul. 19th 1885 - to Bombay, registered. Piece unique - strip with 2 stamps omitted value.

Fig. 46. 1883 - 1 1/2 reis. A. The only Tête-bêche on strip of 4. B. Ommitted value C. Double 1 1/2.

Fig. 47. 1883 - 6 reis. A. Double "6". B. Tête-bêche. Ommited value.

Fig. 48. 1885 - 4 1/2 reis. Ommited value.

Tipo I.

Tipo 2.

O desenho do tipo de selo da primeira emissão, posta em curso, representa um rectângulo no sentido vertical, com pequenos arabescos nos cantos, no qual se insere uma oval tendo a branco, sobre um fundo colorido, as inscrições "SERVIÇO POSTAL" na parte superior e "INDIA PORT", na parte inferior, separadas entre si por dois ornamentos constituídos por quatro pequeninos traços, formando uma cruz.

O interior da oval tem um fundo de 33 linhas verticais, que não chegam a tocar a oval, deixando, assim, uma orla branca, que contorna interiormente toda a mesma oval.

Todavia aconteceu que pelo menos duas vezes o cinzel ou buril que esculpiu as 33 linhas veio riscar muito superficialmente a orla branca, como podemos ver entre o "D" e o "I" de "ÍNDIA" e entre o "P" e o "O" de "PORTUGAL".

No riscado vertical do interior da oval, na sua parte inferior, a palavra "REIS", em caracteres romanos.

O valor, na mesma cor em que é impresso o selo, era aposto numa segunda impressão.

É esta, primeira emissão, composta dos seguintes valores:

- 10 réis na cor preta (Fig. 10)

- 20 réis na cor carmim escuro

- 40 réis na cor azul

- 100 réis na cor verde

- 200 réis na cor amarelo-ocre (Fig 11)

 

São impressos em papel fino, muito calandrado, o que o torna bastante quebradiço, e são denteados 16-18, mas muito irregularmente.

É voz corrente que o denteado terá sido feito por meio de umas réguas dentadas, de marfim ou de ferro, que seriam colocadas, com os dentes para baixo, nos intervalos entre os selos de uma folha já impressa, e depois, por meio de pancadas dadas com um maço sobre as réguas, os dentes destas, devido à pressão, perfuravam o papel.

As gravuras para a impressão teriam sido feitas em chumbo ou estanho, por meio do punção de Jenardana Goindozó, e depois fixadas por meio de pregos, numa prancha de madeira, com a qual se fazia a impressão. Havia 100 gravuras por folha.

Não nos parece que assim tenha acontecido porquanto a prancha de madeira, com estas dimensões, sofreria empenos pelo embate contínuo ao imprimir, e talvez fracturas, e ainda porque se nos deparam várias anomalias, de difícil explicação, para o caso de a impressão da folha ter sido feita de uma só vez.

Evidentemente que se trata só da gravura principal e não dos algarismos da taxa.

Assim:

Possuímos uma tira de três selos, da taxa de 40 réis em azul, da 2ª emissão, em papel espesso, na qual a intensidade da cor azul é diferente de selo para selo, sendo esta diferença de colorido bastante acentuada.

Ainda da nossa colecção, fazem parte alguns pares de várias taxas, nos quais a impressão de um deles é normal, enquanto que a do outro apresenta dupla impressão da gravura.

Como explicar, pois, tais anomalias com uma só impressão, e simultânea, das 100 gravuras?

Nós não o conseguimos, e aventámos:

Não terá a impressão sido feita selo a selo, tal como nessa data se fazia em Lisboa?

Não era assim, já bastante bem alinhados e uniformemente distanciados entre si, que em Portugal eram impressos os selos de D. Luís I do tipo conhecido por fita direita?

A aposição da taxa nos "NATIVOS" era feita depois da impressão da gravura, manualmente e um a um nos selos, e até melhor conhecimento por aqui nos quedamos.

A saída e venda das estampilhas da 1‘ emissão estava marcada para o dia 1 de Setembro de 1871, mas, pelas razões apontadas pelo Administrador Geral interino dos Correios, o Governador da índia, pela portaria 294, publicada no Boletim na 67, de 29 de Agosto, faz saber que:

 

"Atendendo às ponderações feitas pelo Administrador Geral interino dos Correios, sobre a impossibilidade em que se acha de dar cumprimento do 1" do próximo mês de Setembro em diante, ao novo sistema do serviço postal, por meio de estampilhas, como se acha determinado pela portaria 284 do corrente mês...;

... hei por conveniente transferir para o 1º do seguinte mês de Outubro, o começo de execução do referido sistema postal".

 

E assim no Domingo, 1 de Outubro de 1871, os selos saíram e foram postos à venda.

Tudo nos leva a crer que, por virtude da nova organização dos serviços de correio, as estampilhas se esgotavam e naturalmente haveria portes elevados.

Mesmo antes do selo adesivo já essa necessidade se verificava pois temos uma carta da época do selo fixo, com 300 réis de porte, bem como outras com 350 e 600 réis.

E assim, pouco tempo após a saída da primeira emissão, o Governador-Geral da índia Portuguesa, pela portaria n° 321, publicada no Boletim n° 85 de 3 de Novembro de 1871, determinava:

 

"Tendo-se verificado a necessidade de taxas mais altas determina-se que na Imprensa Nacional se imprimam as taxas de 300, 600 e 900 reis devendo a cor de todos esses ser roxa".

 

Tudo nos leva a crer, não ter sido cumprido integralmente, o que nesta portaria é determinado e um só valor foi criado e dado à estampa, o de 300 reis.

Terá sido por esta altura, meados de Novembro de 1871, que, conjuntamente com este selo de 300 reis, haja sido feita uma nova tiragem de algumas das taxas mais usadas ou já esgotadas, para a qual foi utilizado um papel mais espesso.

Terão usado este papel por não haver já o utilizado pela primeira vez ou porque reconhecido que tal papel era melhor e não quebradiço? Não o sabemos.

O denteado mudou também, passando a ser 13½.

E assim, neste papel espesso, além do selo de 300 réis impresso na cor castanha violeta, (Fig. 13) se fez uma 2‘ tiragem dos selos das taxas de 10 réis na cor preta, 20 réis nas cores carmim escuro e vermelho-alaranjado e 200 réis na cor ocre (Fig.12).

O selo da taxa de 600 réis não foi até hoje visto e os exemplares conhecidos das taxas 900 réis, são altamente duvidosos e, segundo a feliz frase de João Augusto Marinho, que na sua colecção possui um exemplar, devem ser "genuinamente falsos".

Segundo Carlos George, os valores de 600 e 900 réis não devem ter sido impressos, porquanto ia já bastante adiantada a 28 emissão de selos e esta já incluía os citados valores.

De facto, assim deve ter acontecido, pois possuímos em nossa colecção uma carta datada de Goa, 6 de Dezembro de 1871, já franqueada com um selo de 20 réis vermelho da 28 emissão, sinal portanto que, pelo menos, este valor já estava em uso, e não é lógico que tivesse sido possível em tão escasso espaço de tempo – a portaria 321 é de 3 de Novembro de 1871 – preparar os cunhos e imprimir duas emissões, tanto mais que estamos crentes de que esta nossa carta não será do primeiro dia de emissão e que este se tenha antes situado seis dias antes.

Porém, por tudo que aqui se diz e ainda porque tivéssemos ensejo de apreciar vasta documentação em posse do Coronel Guedes de Magalhães, estamos convictos da não existência, na 1ª emissão e sua 2ª tiragem das taxas de 600 e 900 réis.

Mas uma vez que tudo é possível e ainda porque houve documento oficial – a portaria n° 321 – que os criou, nada nos garante que não possam aparecer algum dia exemplares destes valores.

Se tal suceder e caso se possa provar a sua autenticidade, tais exemplares só deverão ser considerados como "PROVAS".

A notícia da emissão do primeiro selo adesivo da índia Portuguesa foi comunicada aos "selomaníacos" (recorde-se que, na altura, "timbromanie" era a designação da Filatelia) por J. B. Moens, negociante de selos em Bruxelas, na revista "Le Timbre-Poste", número 12, página 27.

Nesta sua notícia, apresenta-nos em gravura mais ou menos fiel a imagem do selo de 10 réis preto, que lhe mereceu esta singular apreciação:

 

"Le timbre se distingue par sa laideur et son execution des plus détestable; c’est même ce qui à été produit de plus mauvais jusqu’a present. Sa grande laideur cependant ne nous deplai pas trop: elle plaide en faveur de son authenticité, et lui donne un cachet tout local. Nous ne serions pas eloigné de lui donner la grande naturalisation parmi les timbres vrais"

 

E o tempo se encarregou de confirmar plenamente este vaticínio de Moens. De facto, os "NATIVOS DA ÍNDIA", apesar da sua fealdade e singeleza, ou por isto mesmo, impuseram-se na FILATELIA, como dos mais interessantes e belos especimens do mundo dos selos, sendo altamente apreciados.

Continuando nas suas informações públicas, Moens, a pag. 47 do n° 125, de Janeiro de 1873, apresenta a relação dos selos emitidos na índia Portuguesa assim:

 

"1ère ISSUE - 1ère TYPE

Chiffre dans un oval a 32 lignes verticales; papier mince uni, percé en points sur ligne:

10 réis noir gris

20 réis rouge vermillon foncé

40 réis bleu terne

100 réis vert-jaune pâle

200 réis jaune-olive

300 réis ?

600 réis ?

900 réis ?

Même type, percé 13 ½ en points sur ligne

300 réis brun violet"

 

Mas já antes, a pág. 35 do n° 113, de Maio de 1872, nos elucidára:

 

"Tous les timbres que nous avons eus étaient piqués 16, sauf un 20 réis piqué 13 ½ et un autre, même valeur, avec le piquage 12 ½"

 

Como também reconhece a saída de um outro selo da taxa de 10 réis, porquanto a pág. 44 do n° 114 de Junho de 1872, escreve:

 

"Les timbres piqués 16 se pont rares. Les derniers 10 et 20 réis etaient piqués 13 ½ …".

 

É extraordinário que, sendo Moens contemporâneo da primeira emissão dos "NATIVOS", publicando mensalmente uma revista sobre selos, não tivesse mencionado a existência de 600 réis e 900 réis nesta emissão, só nos falando no 300 réis, em denteado 13 ½.

Inexplicável este silêncio, ou ignorância, do negociante belga, tanto mais de espantar porquanto ele nos esclarecia estar em relações directas com M. J. CAMPOS, Director do Correio de Goa, e que lhe enviava exemplares de todos os selos que iam sendo emitidos.

Desta primeira emissão, conhecemos uma carta franqueada com dois selos isolados, da cor preta, em que num deles foi aposta a taxa de 10, que a esta cor corresponde, enquanto que o outro tem aposta a taxa de 40, que é o valor que deveria corresponder à cor azul.

Na taxa de 100 réis, conhecemos a variedade na cor verde esmeralda e ainda o mesmo selo com o 1 do da taxa invertido.

A 12 de Dezembro de 1871, entrou em exercício o Governador José Joaquim Macedo e Couto, General de Divisão, que se manteve no cargo até 10 de Maio de 1875.

Em Dezembro de 1871, foi posta à venda uma nova emissão de selos - a segunda emissão -, com as seguintes características:

Fundo de 44 linhas verticais tocando a oval, a palavra "REIS" em caracteres normandos, as letras da palavra "SERVIÇO" todas do mesmo tamanho e os ornamentos que separam a legenda "SERVIÇO POSTAL" e "ÍNDIA PORT" são constituídos por 5 pontos formando cruz, tendo sido impressos em papel espesso, bastante calandrado.

É constituída pelos seguintes valores:

- 10 réis na cor preta (Fig. 14)

- 20 réis na cor vermelha

- 40 réis na cor azul (Fig.15)

- 100 réis na cor verde (Fig. 16)

- 200 réis na cor amarela

- 300 réis na cor violeta

- 600 réis na cor violeta

- 900 réis na cor violeta

 

Nesta tiragem em papel espesso, são conhecidas algumas raridades das quais se destacam as duplas impressões de valor nas taxas de 10, 20, 40, 100 e 600 réis

Nesta emissão, aparece-nos o 40 réis azul "Têtebêche", (Fig. 17) que foi notado pela primeira vez por M. A. ROTHSCHILD, como nos informa Moens, a pág. 27 do n° 124, de Janeiro de 1873, conjuntamente com o aparecimento do 20 réis em papel azulado. Igualmente raro e de realce é a dupla impressão de valor no 40 réis azul (Fig. 18).

Também desta emissão informa o negociante de Bruxelas em seu jornal:

 

"Nous avons rencontré au 2° type, un timbrefort rare. C’est le 100 reis, vert-bleu, imprimé sur papier burelé gris et présentant en filagranne des lignes obliques croisées formant losanges. Ce timbre à le perçage actuel 14."

 

Até hoje é conhecido somente um exemplar, que pertenceu ao Conde De Ferrari e depois a Sotto Mayor.

Posteriormente, em Abril de 1872, foi feita nova tiragem, em papel avergoado, com os seguintes valores

 

10 réis preto (Fig. 19)

20 réis laranja

40 réis azul

100 réis verde

200 réis amarelo

O"Tête-bêche" na taxa de 10 réis, em papel avergoado (Fig. 20), e o 100 réis, em papel moiré, são as duas grandes raridades nesta emissão.

Ainda mais tarde, em Janeiro de 1873, uma terceira tiragem foi feita, desta vez em papel fino levemente azulado incluindo apenas o

 

20 réis vermelho (Fig. 21)

 

Novamente, em Julho de 1873, foi posta em circulação uma nova emissão - a terceira -, impressa com os cunhos da emissão de Outubro de 1871, em papel azulado, relativamente fino, mas em que a figura se encontra com as linhas de fundo mais espessas.

É composta dos seguintes valores:

 

- 10 réis preto (Fig. 22)

- 20 réis laranja (Fig. 23)

- 300 réis violeta

- 600 réis violeta

- 900 réis violeta (Fig. 24)

 

Algumas folhas têm filigrana "Original Turkey Mill Kent".

De salientar, como variedade desta emissão, as taxas de 10 e 20 réis, nas quais o "A" da palavra "INDIA" foi impressa com um "V" invertido, ou seja, um "A" sem traço.

Notamos igualmente o aparecimento de alguns erros nesta emissão, dos quais salientamos a dupla impressão de valor e o 1 invertido da taxa de 10 réis (Fig. 25)

Ainda mais raros, encontramos a dupla impressão de valor da taxa de 20 réis (Fig. 26), a impressão de 10 em vez de 20 réis (Fig. 27), os raríssimos 60 em vez de 600 réis (Fig. 28), a dupla impressão de valor do 600 réis (Fig. 29) e do 900 réis (Fig. 30).

No ano seguinte, em 1874, uma nova emissão – a quarta, se nos oferece.

É do 1° Tipo - 1871-, só que a letra "A" de "INDIA" não tem traço horizontal, parecendo um "V" ao contrário, e com o mesmo denteado. Os algarismos da taxa são também mais pequenos do que os da emissão de 1873.

Foi utilizado papel azulado fino e consta de:

- 10 réis preto (Fig . 31)

- 20 réis vermelho

Como na anterior, algumas folhas eram filigranadas.

Em Abril de 1875, nova emissão surge – a quinta –, é do Tipo 2 – linhas tocando a oval –, mas os algarismos da taxa são mais pequenos que os da emissão de Dezembro de 1871.

Também em papel fino, azulado e composta de:

- 10 réis preto (Fig. 32 e 33)

- 15 réis rosa e vermelho (Fig. 34)

- 20 réis vermelho (Fig. 36)

 

É nesta emissão que foi criada a taxa de 15 réis, selo este que criou, no meio dos selos, forte controvérsia entre o "AMERICAN JOURNAL OF PHILATELY", que negava a autenticidade dos selos desta taxa, e Moens, que os apresentara no mercado.

Como é natural, Moens acabou por demonstrar irrefutavelmente a legitimidade dos selos que vendia, terminando o seu escrito - pág. 68 do n° 153 de Setembro de 1875 - por pôr à disposição dos contestadores a correspondência trocada com o Director-Geral do Correio em Nova Goa.

Esta taxa destinava-se ao pagamento do porte ao domicílio e o maior bloco conhecido é de 9 selos novos. É conhecida a taxa de 15 réis com dupla impressão de valor e com dupla impressão de cor (Fig. 35).

Igualmente conhecemos o 20 réis dupla impressão de cor (Fig. 38), bem como este, com cor rosa avermelhado, que é o colorido correspondente à taxa de 15 réis (Fig. 37).

O maior bloco que conhecemos desta emissão é de 60 selos novos do 10 réis.

Em Março de 1876, a sexta emissão foi distribuída para uso público.

Na gravura o fundo é formado por 41 linhas verticais acima da palavra "REIS" e 43 abaixo da mesma palavra. A palavra "REIS" é em caracteres normandos e "V" de "SERVIÇO" tem um traço, como se de um "A" invertido se tratasse de "V".

O papel utilizado para a emissão é azulado fino e esta é composta dos seguintes valores:

- 10 réis preto

- 15 réis rosa

- 20 réis vermelho (Fig. 39 e 40)

- 40 réis azul

- 100 réis verde

- 200 réis amarelo

- 300 réis violeta

- 600 réis violeta

- 900 réis violeta

 

Conhecemos o selo de 20 réis com os algarismos de taxa omitidos, mas igualmente raros são as duplas impressões da taxa de 10, 15 e 20 réis.

Dois meses após é apresentada a sétima emissão - Maio de 1876, que apresenta o tipo I - linhas de fundo que não tocam a oval mas com a característica de o V de "SERVIÇO" ser um A ao contrário, com o mesmo denteado da emissão anterior.

Constituem esta emissão, em papel azulado, os valores:

- 10 réis preto

- 20 réis vermelho

 

Existe o selo de 20 réis com dupla impressão do valor.

O receio latente de que os selos eram falsificados, e que, até ali, teria sido talvez o motivo de constante saída de emissões, com pequenas alterações, teve aqui a sua confirmação oficial.

Em consequência desse receio, o Governador Geral Tavares de Almeida mandou, por portaria de 16 de Maio de 1877, alterar os cunhos existentes, acrescentando apenas uma estrelinha por cima da indicação dos algarismos de taxa e uma pequena linha branca horizontal por baixo da palavra "REIS".

Foi fixado o prazo de 45 dias, a contar de 1 de Junho – entrada em circulação dos selos com estrelinha –, para se recolherem e trocarem, na Contadoria Geral, os selos de tipo antigo que passaram a não ter valor de franquia, por invalidados.

Precisamente a 1 de Junho, uma nova emissão de selos nativos foi posta em circulação. Era a oitava emissão.

Foram feitos mais dois cunhos para esta emissão, um do tipo I - linhas não tocando a oval e o outro do tipo II - linhas tocando a oval nos quais foi acrescentada uma estrela de 8 pontas arredondadas acima dos algarismos da taxa e um traço a branco abaixo da palavra REIS

Saíram nesta emissão:

1° Tipo - REIS em Romanos

- 10 réis preto

2° Tipo - REIS em Normandos

- 10 réis preto

1° Tipo com REIS em normandos

- 10 réis preto (Fig. 41)

- 15 réis rosa

- 20 réis carmim

- 40 réis azul

- 100 réis verde

- 200 réis amarelo (Fig. 42)

- 300 réis violeta

- 600 réis violeta

- 900 réis violeta

 

É conhecido o selo de 40 réis com dupla impressão de cor e também sem os algarismos de taxa, assim como o de 900 réis com duplos alga-rismos de taxa.

Os selos de estrelinha pouco tempo estiveram em uso, porquanto logo a 15 de Julho seguinte foram postos a circular os selos "Tipo Coroa" idos da Metrópole. Será pois esta a razão porque os selos desta emissão são muito raros.

O motivo por que as emissões se sucediam rapidamente, e com pequenas alterações nos cunhos, não está hoje ainda bem comprovado. Segundo Carlos George, era por os cunhos se desgastarem rapidamente, segundo Vitorino Godinho, seria "pelo prazer de variar".

Julgo, no entanto, que nem um nem outro estejam dentro da razão, e que este facto se deve filiar antes no temor de que os selos fossem falsificados, como Moens nos diz a pág. 76 do n°178.

 

"C’est probablement pour reconnaitre les vrais timbres des soi-disant faux timbres, que l’administration à pris cette mesure".

 

De facto, tem havido várias falsificações dos selos nativos, não so feitas na época por um tal E. REICHMANN, de Dresden, como as mandadas fazer à volta de 1938, por pessoa moradora, ao tempo, na Rua Eugênio dos Santos, 99-3° andar, em Lisboa, que mandou executar a um seu amigo gravador os "clichés" e, para a obtenção do papel para a impressão, procurava pelos alfarrabistas livros da época de 1871, quaisquer que eles fossem, desde que existisse larga margem entre o corpo da impressão e o bordo da folha, de modo a haver espaço branco de papel para a impressão dos selos.

Duma vez, apareceu na casa Simões Ferreira, na Rua do Arsenal, em Lisboa, com uma grande variedade de nativos coladas em folhas de papel almaço amarelado, e estando presente Carlos George , adquiriu vários, rejeitando outros, dizendo que eram falsos.

Afinal, todos eram falsos.

Foi ele quem "emitiu" o de 40 réis azul, que andou incluído na emissão de 1874 e foi posteriormente retirado.

Dados os grandes prejuízos que o comércio em geral sofria, e que provinham da disparidade de moeda com o território vizinho, foi, em 1880, celebrada a Convenção Monetária entre os Governos da índia Portuguesa e Inglesa, de conformidade com o artigo 5° do Tratado Luso-Britânico de 26 de Dezembro de 1878.

E, assim, foi necessário subordinar, paralelamente com a nova moeda, o preço dos selos, o que efectivamente se fez a partir de 1 de Maio de 1881, sobrecarregando as estampilhas existentes com o novo valor.

Mas os selos tipo " Coroa" esgotaram-se e, para prover as necessidades do correio, aproveitaram-se os selos NATIVOS de estrelinha das taxas 10 e 20 réis no número de 24500, sobrecarregando-os com o algarismo "5", segundo se determina na portaria de 21 de Março de 1881.

No entanto, em Abril de 1881 e novamente em Maio do mesmo ano, receando-se que a emissão anterior se esgotasse, foram aproveitados selos de várias emissões nativas no total de 85 000 selos, que foram sobrecarregados também com nova taxa, em moeda indiana.

O algarismo "5" foi impresso a vermelho nos selos de 10 réis e o mesmo valor foi impresso a preto nos selos de 20 réis, taxa essa destinada aos jornais, tendo também sido impressa a preto no selo de 15 reis. Três variedades de "5" impressos à mão foram utilizados, sendo muito mais raro o mais pequeno que tem cerca de 4,5 milímetros de altura e é mais delgado do que os outros. Este só se encontra na taxa de 20 réis (Fig 43).

 

Também em Maio de 1881, sobrecarregara-se à mão os selos nativos de 20 réis com o valor 1 1/2 preto em moeda indiana.

Em Maio de 1883, novas sobretaxas manuais, também em moeda indiana, a preto e com os valores de 11/2, 41/2 e 6, foram aplicadas sobre selos nativos de várias emissões e de diferentes tipos de papel.

Mais tarde, em Setembro de 1883, por não serem suficientes para consumo os selos existentes, manda a Junta da Fazenda Pública fazê-los imprimir sob direcção de Assa Castel’Branco.

Novamente o tipo Nativo foi usado, servindo para este fim as antigas chapas, com o valor em moeda indiana.

E, assim, saíram:

- 1 ½ réis preto, em 1 de Setembro de 1883 (Fig 44)

- 6 réis verde, em 17 de Outubro de 1883

 

Para esta emissão, foi usado o cunho que serviu para a impressão do 10 réis, de estrelinha, com a palavra "REIS" em caracteres romanos.

Porém, a taxa de 6 réis nalguns exemplares foi omitida, o que constitui o selo mais raro desta emissão. (Fig 45).

Nesta data, Setembro de 1883, outra tiragem surgiu, em papel azulado fino e também em moeda Indiana:

- 1 ½ réis preto, em 1 de Setembro de 1883

- 4 ½ réis bistre, em 20 de Agosto de 1883

- 6 réis, verde, em 17 de Outubro de 1883

 

As letras da palavra "REIS" são em caracteres normandos e os algarismos da taxa são maiores.

Nesta emissão, constituem variedades o "tête-bêche", o valor omitido e a dupla impressão do 1 1/2 réis preto (fig 46) e do 6 réis verde escuro (Fig 47), assim como o selo de 4 1/2 réis com a taxa omitida (Fig. 48).

Conhece-se também o selo de 1 1/2 réis com a taxa impressa a verde.

Só mencionamos aqui, nas emissões nativas, as variedades por nós conhecidas, mas ainda não incluídas em catálogo.

Como melhor esclarecimento:

Basicamente, só dois tipos são de considerar nos selos NATIVOS da índia Portuguesa:

1° Tipo - Fundo de linhas verticais que não tocam a oval

2° Tipo - Fundo de linhas verticais que tocam a oval

 

A partir destes 2 tipos, as diferenças nos caracteres das palavras "REIS", em romanos e normandos, a grafia da legenda "SERVIÇO POSTAL - ÍNDIA PORT", os arabescos que separam estas legendas, compostos por pequenos traços ou por pontos formando cruz e ainda pela introdução de uma estrelinha acima dos algarismos do valor, não são mais que detalhes introduzidos nos dois tipos, formando assim as bases que caracterizam as várias emissões.

Igualmente a diversidade do formato dos algarismos usados para as taxas ajudam a determinar a emissão.

De uma maneira geral, para mais rápida identificação dos Nativos da índia, podemos resumir assim as suas características:

 

TIPO I

- "REIS" em caracteres romanos

- Fundo de linhas verticais que não tocam a oval

 

1ª emissão – 1 de Outubro e Novembro de 1871:

- SERVIÇO" tendo o "S" e o "R" menores e o "E" maior que as outras letras.

- Legendas separadas por dois ornamentos, formados por quatro pequenos traços em cruz.

- Fundo de 33 linhas verticais, nitidamente destacadas.

- Papel branco fino e rígido, ou papel espesso, correspondendo este à tiragem de Novembro.

 

3ª emissão – Julho de 1873:

As mesmas características da 1ª emissão mas as linhas de fundo grossas e empastadas.

Papel azulado de espessura média.

 

4ª emissão – 1874:

- "ÍNDIA" com letra "A" sem traço, como sendo um "V" ao contrário.

- Algarismos da taxa mais pequenos do que os da emissão anterior.

- Papel azulado fino.

 

7ª emissão – Maio de 1876:

-"SERVIÇO" com a letra "V" barrado, como se tratasse de um "A" ao contrário.

- Legendas separadas por dois ornamentos, formados por 5 pontos em cruz

- Algarismos da taxa pequenos e idênticos aos da 4ª emissão.

- Papel azulado fino.

 

TIPO II

- "REIS" em caracteres normandos.

- Fundo de linhas verticais que tocam a oval.

 

2ª emissão – Dezembro de 1871 - Abril de 1872 - Janeiro de 1873

- "SERVIÇO" com as letras todas de igual tamanho.

- Legendas separadas por dois ornamentos, compostos de 5 pontos formando uma cruz.

- Fundo de 44 linhas verticais.

- Papel espesso, avergoado ou azulado fino, correspondendo cada qualidade de papel a uma tiragem.

 

5ª emissão – Abril de 1875

- Idêntica à 2° emissão, mas com os algarismos da taxa menores.

- Papel azulado fino

 

6ª emissão – Março de 1876

- "SERVIÇO" com a letra "V" barrada, como "A" ao contrário.

- Legendas separadas por dois ornamentos compostos de 5 pontos formando uma cruz.

- Fundo com 41 linhas verticais acima de "REIS" e 43 abaixo.

- Papel azulado fino

 

A emissão de 1 de Junho de 1877 dispensa qualquer descrição, visto que a aposição da estrelinha de 8 pontas arredondadas acima da taxa e o traço branco debaixo de "REIS" a tornam inconfundível.

Foi impressa em papel azulado fino.

As emissões de Setembro de 1883, que consideramos uma só, e que foi feita com duas gravuras diferentes da emissão de estrelinha - 1877- foi executada com o valor em moeda Indiana.

Foi impressa em papel azulado fino.

 

Finalmente, só em 4 de Novembro de 1952, aquando da Exposição Filatélica de Goa, foi apresentado novamente o 10 réis tipo Nativo, conjuntamente com outro selo e separados entre si por uma vinheta alusiva à mesma Exposição.

 

E assim, graças a José Frederico de Assa Castel’Branco, que os desenhou, e a Jenardana Goindozó, humilde ferreiro, que os gravou, os selos "NATIVOS" da índia Portuguesa foram legados à posteridade e, espalhados pelo Mundo assinalam a presença inesquecível e imorredoura do Espírito Lusíada nos territórios de Goa, Damão, Dio e Nagar-Avely, em terras do Hindustão.

  

 

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